A Getnet, fintech de pagamentos do Santander, projeta crescimento de 10% em 2026 após processar 240 bilhões de euros em transações no ano anterior. A estratégia combina uma solução de recebimento internacional para empresas estrangeiras no Brasil e a aposta em comércio agêntico, modelo em que agentes de IA conduzem compras e pagamentos de forma autônoma.
Vetores de crescimento 2026
| Frente |
O que é |
Potencial |
| Pay-In (cross-border) |
Empresas estrangeiras vendem no Brasil sem operação local |
R$ 100 bi/ano |
| Comércio agêntico |
Agentes de IA executam compras em nome do consumidor |
30% do e-commerce até 2030 |
Fontes: Veja e Santander
Pay-In: cross-border sem operação local
A solução Pay-In permite que empresas estrangeiras comercializem produtos e serviços no Brasil sem a necessidade de estabelecer uma operação local. O produto está integrado à API do Single Entry Point (SEP), plataforma que opera a partir de um único ponto de entrada para comerciantes em múltiplos países. “A solução pode movimentar 100 bilhões de reais em um ano”, disse Luciano Ferrari, vice-presidente de contas globais da Getnet.
A Getnet opera sob o guarda-chuva do Santander, que recentemente nomeou Gilson Finkelsztain como CEO no Brasil. A companhia fechou capital na B3 e na Nasdaq em 2022 e concentrou esforços na expansão internacional, com presença em mais de 24 países. Segundo o Nilson Report, a Getnet é a maior adquirente da América Latina por volume de transações e figura entre as dez maiores do mundo.
Da maquininha ao comércio agêntico
A segunda aposta é o comércio agêntico, modelo em que agentes autônomos de IA iniciam, gerenciam e executam compras em nome dos consumidores. A Getnet já vinha posicionando sua estratégia de agentes de IA para o varejo digital. Segundo estimativas da Monitor Deloitte, até 30% do valor das transações de e-commerce global deve ser influenciado por IA agêntica até 2030, o equivalente a cerca de US$ 17,5 trilhões em valor bruto de mercadoria.
“Agentic commerce represents a turning point at which AI ceases to observe the customer’s journey and starts to drive it”, disse Juan Franco, CEO global da Getnet, na NRF 2026, em Nova York. A infraestrutura que sustenta essa aposta é o SEP, uma API unificada que permite integração em múltiplos países e suporta transações iniciadas por agentes com segurança e conformidade integradas.
O que observar
A combinação de cross-border com comércio agêntico posiciona a adquirente em duas frentes de alto crescimento, mas com desafios distintos. No cross-border, o teste é capturar volume que hoje flui por fintechs especializadas em câmbio e remessas, num mercado em que a proximidade com o lojista é vantagem competitiva mas a regulação de câmbio exige licenciamento específico.
No comércio agêntico, a janela de oportunidade é real: se agentes de IA passarem a mediar 30% das transações até 2030, quem controlar a infraestrutura de pagamento desses agentes terá vantagem estrutural. A questão é se uma API unificada como o SEP consegue se tornar padrão de mercado antes que concorrentes globais e orquestradores de pagamento estabeleçam alternativas próprias.
Fontes: Veja • Santander • Let’s Money