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Inteligência ArtificialIA · Goldman Sachs

Goldman: IA pode cortar 15 mi de vagas em 10 anos nos EUA

Goldman Sachs elevou de 6-7% para mais de 9% a fatia de empregos dos EUA que a IA generativa pode deslocar, cerca de 15 milhões em uma década.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Shutterstock

O Goldman Sachs elevou de 6% a 7% para mais de 9% a fatia de empregos nos EUA que a IA generativa pode deslocar, o equivalente a cerca de 15 milhões de trabalhadores ao longo de uma década. O banco revisou a metodologia do cálculo e, na mesma análise, projeta que a tecnologia também vai criar novas funções.

A revisão do Goldman sobre IA e empregos

Indicador Número
Estimativa anterior 6% a 7% das vagas dos EUA
Nova estimativa Mais de 9% (cerca de 15 milhões)
Horizonte 10 anos
Pico de impacto no desemprego Menos de 1%

Estimativa do Goldman Sachs sobre deslocamento de empregos pela IA. Fonte: PYMNTS

Por que o Goldman elevou o número de empregos cortados por IA

A nova conta parte de uma mudança de método. A estimativa anterior olhava para o “estoque” de trabalhadores desempregados, enquanto a atual examina o “fluxo” de pessoas que saem das funções que já existem, segundo a análise do economista Joseph Briggs. O modelo assume que cada aumento de 1% na produtividade puxada por tecnologia eleva a taxa de destruição de empregos em 0,5% a 0,6% nos dois anos seguintes.

O próprio Goldman pondera o tamanho do choque. Se as perdas se diluírem por dez anos e a maioria dos trabalhadores encontrar nova ocupação em até um ano, Briggs afirmou que “o impacto da IA no pico da taxa de desemprego seria inferior a 1%” (em tradução livre). A leitura conversa com outras projeções recentes do banco sobre o avanço da IA.

A outra ponta: novas funções

O banco também projeta que a IA vai gerar empregos no longo prazo, somando-se aos 25 milhões a 35 milhões de novas vagas que a economia americana já cria a cada ano. O movimento aparece nas próprias empresas de tecnologia: no início de junho de 2026, o CEO da Box, Aaron Levie, disse ao New York Times que a IA criou 13 novas categorias de cargos na companhia, entre elas arquitetos de IA, gerentes de soluções de IA, avaliadores de modelos e engenheiros de automação de negócios com IA.

A contramão também é real. A IA virou “a principal razão que as empresas dão para cortar vagas, e a indústria que mais a cita é a de tecnologia” (em tradução livre), disse Andy Challenger, especialista da firma de recolocação Challenger, Gray and Christmas, em junho de 2026. Em maio, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que a IA eliminou menos empregos de entrada no trabalho de escritório do que ele previa, ao mesmo tempo em que o setor financeiro segue investindo pesado na tecnologia.

O que observar

O ponto sensível da revisão não é o total de 15 milhões, e sim a distribuição. Se a destruição de funções se concentra em trabalhadores de entrada e em setores intensivos em tarefas cognitivas, o efeito agregado pode parecer pequeno enquanto a dor se acumula em grupos específicos. Vale acompanhar se a criação de novas categorias de cargos absorve, no mesmo ritmo, quem sai das funções automatizadas.

O debate atravessa diretamente as instituições financeiras, onde a automação de tarefas de análise, atendimento e back-office avança rápido, inclusive no Brasil. A pergunta prática é se a requalificação acontece na velocidade do deslocamento, ou se a defasagem entre as duas curvas vira um custo social que a estatística de desemprego no agregado não captura.

Fontes: PYMNTSSeeking AlphaGoldman Sachs

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