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AntitrusteInternacional · Big Techs

Corte sueca condena Google a pagar US$ 1,97 bi a fintech

Patent and Market Court de Estocolmo condena Google a pagar US$ 1,97 bi ao PriceRunner, comparador da fintech sueca Klarna, em ação antitruste.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Solen Feyissa na Unsplash

O Patent and Market Court, corte de Estocolmo especializada em propriedade intelectual e concorrência, condenou o Google a pagar 14,3 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,97 bilhão), mais juros, ao PriceRunner, comparador de preços da fintech sueca Klarna. É a maior indenização civil já registrada na Suécia derivada da decisão antitruste da Comissão Europeia de 2017 contra o Google Shopping.

Cronologia do caso Google Shopping

Ano Evento
2017 Comissão Europeia multa Google em €2,42 bilhões por abuso em busca online
2022 Klarna compra o PriceRunner; comparador entra com ação civil contra Google
2024 Tribunal de Justiça da UE confirma sem ressalvas a decisão antitruste
01/07/2026 Patent and Market Court condena Google a pagar 14,3 bi SEK (≈ US$ 1,97 bi)

Cronologia do caso Google Shopping. Fontes: Finextra e Payments Dive

Como o caso chegou a Estocolmo

Em 2017, a Comissão Europeia multou o Google em €2,42 bilhões por abusar de posição dominante na busca online, promovendo o Google Shopping em detrimento de comparadores rivais. O Tribunal de Justiça da União Europeia confirmou a decisão sem ressalvas em 2024, encerrando anos de apelação.

O PriceRunner, comparador nórdico comprado pela Klarna em 2022, entrou com ação civil no mesmo ano da aquisição e pediu 78 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 8,3 bilhões) em danos por perda de receita. Alegou que o Google rebaixou de forma sistemática os concorrentes na busca enquanto favorecia o próprio Google Shopping, causando dano comercial mensurável ao longo de mais de uma década.

A corte concedeu 14,3 dos 78 bilhões de coroas pedidos, cerca de 18% do total. A sentença ainda cabe recurso. “We don’t agree with the court’s decision, we are reviewing and will consider our legal options”, afirmou porta-voz do Google, em tradução livre: a empresa discorda da decisão, está revisando e vai considerar as opções legais.

Klarna cobra Google, mas segue parceira

A briga judicial coexiste com relação comercial ativa. O Google embutiu recentemente a Klarna e a Affirm como parceiras de parcelamento no assistente Gemini, permitindo compras parceladas dentro da IA generativa. A fintech sueca abriu capital nos Estados Unidos em 2025 e registrou primeiro lucro trimestral pós-IPO, com receita de US$ 1 bilhão.

O paradoxo (cobrar bilhões enquanto vende serviço via mesma big tech) expõe algo do modelo global das duas empresas: dependência mútua em escala, mesmo com disputa antitruste em curso.

O que observar

A sentença sueca abre um caminho pouco explorado até aqui: transformar decisões regulatórias contra big techs em indenizações civis milionárias. Até então, autoridades antitruste multavam e o valor ia para o caixa público. Agora, empresas afetadas conseguem quantificar prejuízo próprio e cobrar em corte, com base na mesma decisão já confirmada em última instância. Rivais que sobreviveram ao período anterior podem repetir o movimento, e o custo total do abuso deixa de ser contido pela sanção administrativa. Vale acompanhar quantos processos derivados surgem na União Europeia nos próximos meses e se autoridades em outros mercados começam a costurar decisões regulatórias com direito à indenização civil.

Fontes: FinextraPYMNTSPayments DiveEuronewsComissão Europeia

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