A expansão do Crédito do Trabalhador tem levado milhões de brasileiros a repensarem suas opções de financiamento. A modalidade já movimentou mais de R$ 131 bilhões desde o lançamento e beneficiou mais de 9 milhões de trabalhadores, com taxa média de juros em torno de 3,66% ao mês contra 8,4% do empréstimo pessoal tradicional. Para Rodolfo Takahashi, CEO da Gooroo Crédito, fintech especializada na linha, escolher um crédito considerando apenas a taxa de juros pode resultar em decisões inadequadas.
Criada para ampliar o acesso ao consignado privado para empregados com carteira assinada (CLT), a modalidade se tornou uma das principais linhas de crédito disponíveis no país.
Crédito do Trabalhador x empréstimo pessoal
| Indicador |
Crédito do Trabalhador |
Empréstimo pessoal |
| Taxa média de juros |
Cerca de 3,66% ao mês |
Cerca de 8,4% ao mês |
| Volume desde o lançamento |
Mais de R$ 131 bilhões |
Não informado |
| Trabalhadores beneficiados |
Mais de 9 milhões |
Não informado |
| Público |
Empregados com carteira assinada |
Pessoa física em geral |
Dados do Ministério do Trabalho e de instituições financeiras citados pela empresa. Fonte: Gooroo Crédito
Juros não são o único critério
Para Takahashi, a comparação não deve se limitar ao percentual de juros. “O Crédito do Trabalhador representa um avanço importante porque amplia o acesso a uma modalidade mais barata e previsível. Mas escolher um empréstimo apenas pela taxa de juros pode ser um erro. O consumidor precisa avaliar o Custo Efetivo Total (CET), verificar o impacto da parcela no orçamento e, principalmente, entender qual é a finalidade daquele crédito. Só assim é possível saber se a operação realmente faz sentido para a sua realidade”, afirma.
Trocar dívidas caras pode gerar economia
Na avaliação do executivo, o maior benefício da nova modalidade está na possibilidade de reorganização financeira. Em vez de contratar um novo empréstimo para ampliar o consumo, o trabalhador pode utilizar o recurso para substituir dívidas caras, como empréstimos pessoais, cheque especial ou parte da dívida do cartão de crédito.
“Quando o crédito é utilizado para reduzir o custo de uma dívida já existente, ele passa a ser uma ferramenta de reorganização financeira. Trocar uma operação que cobra mais de 8% ao mês por outra com custo significativamente menor pode representar uma economia relevante ao longo do contrato”, explica Takahashi.
O crescimento acelerado do Crédito do Trabalhador também levou o governo a reforçar as regras da modalidade em 2026, estabelecendo limites para tarifas e ampliando os mecanismos de transparência nas operações. Em abril de 2026, o Ministério do Trabalho restringiu tarifas e limitou o custo do consignado, e em julho de 2026 o volume da linha recuou após o novo teto de juros.
Para Takahashi, esse movimento acompanha uma mudança de comportamento do consumidor, que passou a comparar mais as ofertas antes de contratar um empréstimo. “Hoje, juros menores já não são suficientes para convencer o cliente. O consumidor quer entender exatamente quanto vai pagar, quais são os encargos envolvidos e como aquela dívida vai impactar seu orçamento. A transparência passou a ser um diferencial competitivo”, destaca.
Endividamento mantém o crédito em evidência
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), mais de oito em cada dez famílias convivem atualmente com algum tipo de dívida. No primeiro ano da modalidade, 74% dos tomadores tinham dois ou mais empréstimos, segundo levantamento da Serasa.
Para o CEO da Gooroo Crédito, a tendência é que a concorrência entre o consignado privado e o empréstimo pessoal deixe de se concentrar apenas nas taxas de juros. “Nos próximos anos, a competição será cada vez menos baseada apenas no preço. As instituições que se destacarão serão aquelas capazes de oferecer uma combinação de custo competitivo, tecnologia, simplicidade na contratação e informações claras para que o consumidor tome decisões mais conscientes”, conclui.
O que observar
O alerta interessa a quem oferta consignado privado e a quem compara ofertas de crédito: o Custo Efetivo Total, e não a taxa nominal, é o número que o consumidor deveria olhar, e as regras de 2026 passaram a limitar tarifas embutidas. O ponto a acompanhar é se a competição entre as instituições migra do preço para a transparência das informações, como a fintech projeta.
Fontes: Gooroo Crédito • Agência Brasil: Ministério restringe tarifas e limita custo do consignado • Let’s Money: um ano do Crédito do Trabalhador, 74% têm 2 empréstimos • Let’s Money: consignado privado recua após novo teto de juros