Ir para o conteúdo

RegulaçãoRegulação · CSLL

Governo mira R$ 4,4 bi com CSLL de fintechs, JCP e bets em 2026

por

· 2 min

Atualizado em

A Receita Federal projeta arrecadar R$ 4,46 bilhões em 2026 com três frentes tributárias aprovadas no fim do ano passado: a elevação da CSLL para fintechs e instituições financeiras (R$ 1,1 bilhão), as mudanças nos Juros sobre Capital Próprio (R$ 3,1 bilhões) e a tributação sobre apostas de quota fixa (R$ 260 milhões). Em paralelo, a estimativa de arrecadação com corte de benefícios fiscais foi revisada de R$ 19,8 bilhões para R$ 16,5 bilhões.

Projeção de arrecadação com as três medidas em 2026
CSLL sobre fintechs e bancos R$ 1,1 bi
Mudanças no JCP R$ 3,1 bi
Apostas de quota fixa R$ 260 mi
Total projetado R$ 4,46 bi
Fonte: Valor Econômico, com dados da Receita Federal

O que muda na CSLL para fintechs e instituições financeiras

A Receita Federal publicou a Instrução Normativa 2.315/2026, formalizando as novas alíquotas de CSLL para o setor financeiro a partir de 1º de abril de 2026, conforme previsto na Lei Complementar 224. Bancos passam a pagar alíquota de 20%. Fintechs e instituições de pagamento saltam de 9% para 12% agora, com nova elevação para 15% a partir de janeiro de 2028. Sociedades de crédito, financiamento e capitalização vão a 17,5%, chegando a 20% em 2028.

A medida atinge diretamente o setor que mais cresceu no sistema financeiro nos últimos anos. Fintechs que operam como SCDs, IPs e sociedades de crédito enfrentam agora uma carga tributária mais próxima à dos bancos tradicionais. O aumento de capital mínimo exigido pelo Banco Central, que já havia elevado a barreira de entrada, agora se soma à pressão tributária.

JCP e apostas completam o pacote

A frente com maior impacto projetado é a mudança nos Juros sobre Capital Próprio, com R$ 3,1 bilhões esperados. A alíquota do IRRF sobre JCP subiu de 15% para 17,5% a partir de janeiro de 2026, e a base de cálculo foi alterada: lucros apurados no próprio exercício não podem mais ser usados no cálculo do JCP no mesmo período.

A tributação sobre apostas de quota fixa, que entrou em vigor com a regulamentação do setor de bets, deve acrescentar R$ 260 milhões.

O que observar

A elevação da CSLL marca o fim de um período em que fintechs operavam com carga tributária significativamente inferior à dos bancos. Com alíquota indo a 12% agora e 15% em 2028, a vantagem fiscal que ajudou a financiar o crescimento acelerado do setor encolhe. Somada ao aumento de capital mínimo, a sinalização regulatória é clara: o período de tolerância para fintechs amadurecerem acabou. Em entrevista ao podcast Let’s Money, Benny Maganha, sócio-fundador da NDM Advogados, já havia apontado que 2026 seria o ano de adequação massiva, com o Banco Central exigindo viabilidade real e compliance como custo operacional obrigatório.

Fontes: Valor Econômico · Fenacon · Finsiders Brasil · Econet Editora · Let’s Money Podcast

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.