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Governo do DF pede empréstimo de R$ 4 bi para salvar BRB

Ibaneis Rocha assina pedido de empréstimo ao fundo garantidor com ações de empresas públicas como colateral. BRB acumula até R$ 13,3 bi em perdas com o Banco Master.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Agência Brasília

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), oferecendo como garantia participações acionárias na Caesb, CEB e no próprio BRB, além de imóveis públicos. A operação tenta conter os efeitos do rombo bilionário gerado pela exposição do banco público ao Banco Master.

Pedido ao FGC — Estrutura

Componente Detalhe
Valor solicitado R$ 4 bilhões
Carência 1 ano e 6 meses
Pagamentos Semestrais, remuneração CDI + spread
Garantias Ações da Caesb (saneamento), CEB (energia), BRB + 9 imóveis públicos
Exposição ao Master R$ 12,2 bi em créditos adquiridos
Provisões estimadas R$ 8,8 bi a R$ 13,3 bi (auditoria forense)

Fontes: Valor EconômicoAgência Brasil

O que o GDF oferece e o que o BRB precisa

O ofício assinado por Ibaneis Rocha pede ao FGC uma “operação de suporte” para “preservar a resiliência do sistema financeiro”. A proposta prevê carência de um ano e seis meses com pagamentos semestrais e remuneração atrelada ao CDI mais spread, nas condições definidas pelo fundo. Como lastro, o GDF coloca na mesa participações acionárias das três principais empresas públicas do Distrito Federal: a Caesb (saneamento), a CEB (energia) e o próprio BRB, além de nove imóveis públicos já autorizados pela Assembleia Legislativa.

Para subsidiar a análise do FGC, o GDF e o BRB preparam plano de negócios, plano de capital, diagnóstico de necessidades, proposta detalhada de garantias com mapa de elegibilidade e cronograma de implementação com governança de monitoramento. A necessidade de capital é consequência direta da exposição ao Banco Master: o BRB acumulou R$ 12,2 bilhões em créditos adquiridos da instituição, e as provisões necessárias foram estimadas entre R$ 8,8 bilhões e R$ 13,3 bilhões por auditoria forense independente. Anteriormente, o BRB havia proposto aumento de capital de R$ 8,86 bilhões, mas a Caixa desistiu de comprar carteiras do banco após auditoria sigilosa.

O FGC já sob pressão

O pedido chega num momento em que o próprio FGC opera sob estresse. O fundo já desembolsou bilhões com o colapso do Banco Master: ainda deve R$ 793 milhões a clientes do Master, enquanto bancos anteciparam R$ 32,5 bilhões ao fundo para recompor o caixa. Conceder mais R$ 4 bilhões ao BRB, aceitando como garantia ações de empresas públicas de um único ente federativo, testaria os limites operacionais e de governança do fundo. O BRB já cancelou assembleia e negociou novo prazo com o BC para resolver a situação de capital.

O que observar

A estrutura proposta coloca empresas de saneamento e energia do Distrito Federal como colateral de um empréstimo causado por decisões de crédito de um banco público. Se o BRB não conseguir honrar os pagamentos, o FGC teria como garantia participações em concessionárias que prestam serviços essenciais a 3 milhões de habitantes. A decisão do fundo vai sinalizar se esse tipo de operação de suporte, que usa patrimônio público como lastro para cobrir perdas de gestão de risco, é viável como precedente ou se abre um caminho que o sistema prefere evitar.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilInfoMoneyLet’s Money

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