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Governo libera FGTS como garantia do Crédito do Trabalhador

Regulamentação publicada no DOU libera 35% das verbas, 100% da multa do FGTS e 10% do saldo como garantia para juros de 1,99% ao mês no consignado privado.

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O governo regulamentou o uso de garantias no Crédito do Trabalhador. Trabalhadores CLT podem agora empenhar 35% das verbas rescisórias, 100% da multa rescisória do FGTS e 10% do saldo do FGTS para reduzir os juros do consignado privado a 1,99% ao mês. A condição é contratar via Carteira de Trabalho Digital.

As três garantias liberadas no Crédito do Trabalhador

Garantia Limite Quando aplica
Verbas rescisórias 35% Qualquer extinção de vínculo
Multa rescisória do FGTS 100% Demissão sem justa causa
Saldo do FGTS 10% Demissão sem justa causa, inclui saque-rescisão

Garantias previstas na Portaria MTE 1.115/2026 e na Resolução CGCONSIG/MTE nº 3/2026. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

De estudo a regulamentação em 11 dias

Em 19 de junho, o Let’s Money mostrou que o governo estudava usar o FGTS como garantia, com expectativa inicial de derrubar os juros do consignado privado para a casa de 2,99% ao mês. A regulamentação publicada agora vai além: limita o teto a 1,99% ao mês e cria três caminhos de garantia que podem ser combinados. A Resolução CGCONSIG/MTE nº 3 e a Portaria MTE 1.115, ambas de 25 de junho, abrem espaço para o uso das garantias tanto em consignados novos quanto na troca de operações já em curso.

O programa foi lançado em março de 2025 e, conforme balanço divulgado pela pasta do Trabalho, soma carteira ativa superior a R$ 133 bilhões e 10 milhões de trabalhadores com contratos ativos em 15 meses de operação. O patamar de juros elevado “incomoda muito” o governo, declarou ao Valor o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, a partir de agora o saldo do FGTS passa a se somar ao salário como cobertura para os bancos que originam a operação.

Canal digital ganha vantagem de cobertura

A regulamentação cria assimetria explícita entre os dois caminhos de contratação. Pelo aplicativo do governo, o crédito tem cobertura integral do principal; pelos canais próprios dos bancos, metade. Antes de assinar, o cliente deve receber a tabela completa do contrato: Custo Efetivo Total, taxa, prazo, garantias usadas e percentual de desconto sobre as verbas rescisórias.

O movimento chega com o perfil do produto já mudado. Pesquisa da Serasa Experian mostrou que o ticket médio caiu 73%, de R$ 8,6 mil para R$ 2,3 mil em operações até abril. Bancos como o BB, que soma R$ 18,2 bilhões em 14 meses no programa, e o Itaú, que lidera o estoque do consignado privado, puxam a oferta no canal próprio, enquanto fintechs de crédito disputam contratos dentro do aplicativo.

O que observar

A assimetria de cobertura entre Carteira Digital (100%) e canais próprios (50%) cria pressão competitiva sobre instituições com forte distribuição em folha. Vale acompanhar se a oferta pelo canal estatal puxa a precificação para o teto de 1,99% nas operações dentro dos apps bancários, ou se os emissores tradicionais mantêm spread e vendem menos no canal próprio. A queda de 73% no ticket médio sugere que o produto chega a perfis de risco antes não atendidos, e o teste será sustentar a tarifa máxima com o mix novo de garantias.

Fontes: Valor EconômicoMinistério do Trabalho e EmpregoMinistério da FazendaLet’s Money: FGTS de até 100% no consignado CLTLet’s Money: ticket médio cai 73%Let’s Money: BB com R$ 18,2 bi em 14 meses

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