Ir para o conteúdo

Rodadas e M&AInternacional · Atome

Grab acerta compra do controle da Atome por US$ 1,49 bi

A Grab anuncia a compra do controle da Atome Financial em negócio de US$ 1,49 bilhão e leva o super app do Sudeste Asiático para dentro do crédito BNPL.

por

· 3 min

Atualizado em

TY Lim / Shutterstock.com

A Grab, super app do Sudeste Asiático, anunciou a compra de participação de controle na Atome Financial, provedora de BNPL (compre agora, pague depois) sediada em Singapura, em um negócio de US$ 1,49 bilhão. A operação, apresentada pela própria companhia como transação proposta, coloca o grupo de transporte e serviços financeiros dentro do crédito parcelado no ponto de compra.

A anatomia do negócio Grab-Atome

Elemento Detalhe
Grab (compradora) Pagamentos, bancos digitais, crédito via parceiros, seguros e crédito ao consumidor, além do transporte por aplicativo
Atome (adquirida) Empréstimos e cartões BNPL, crédito ao consumidor e crédito digital; 25 milhões de usuários cumulative transacted (que já transacionaram)
Mercados da Atome Singapura, Malásia, Filipinas, Indonésia e Tailândia
Valor e status US$ 1,49 bilhão; transação proposta, anunciada em 15 de setembro de 2026

Estrutura da operação Grab-Atome, segundo comunicado da Grab. Fonte: PYMNTS

Como um super app entra no crédito parcelado

Na semana anterior ao anúncio, a Bloomberg News já havia relatado que a Grab conversava para adquirir a Atome, cujo nome abrevia a expressão em inglês available to me. O comunicado oficial confirmou a direção: o acordo junta os empréstimos e cartões BNPL, o crédito ao consumidor e o crédito digital da fintech de Singapura ao braço de serviços financeiros do super app, sem que a Grab compre a totalidade da companhia, e sim o controle.

A área financeira da Grab já cobre pagamentos, bancos digitais, crédito via parceiros, seguros e crédito ao consumidor, ao lado do transporte por aplicativo. Comprar uma engine de BNPL com base própria de 25 milhões de usuários aprofunda esse segmento. “A transação proposta acelera o crescimento e a rentabilidade do nosso segmento de serviços financeiros ao aprofundar nossas capacidades de crédito ao consumidor”, disse Alex Hungate, president and chief operating officer da Grab, em tradução, ao apontar também o acesso à rede de lojistas da Atome.

O apetite global por parcelar na hora da compra

O parcelamento no ponto de compra virou frente de disputa em vários mercados. Nos EUA, metade dos usuários de BNPL recorre à modalidade por necessidade, segundo pesquisa da PYMNTS Intelligence, e bancos tradicionais também entraram no jogo, com o Bank of America levando o parcelado ao cartão para desafiar o BNPL. O movimento da Grab mira outro perfil: consumidores da Ásia com pouco ou nenhum histórico de crédito formal.

Esse é o argumento de inclusão financeira que a companhia usou para justificar a compra. Segundo a Grab, no ano passado 68% dos tomadores parceiros de direção da empresa acessaram crédito formal pela primeira vez por meio dela, e metade disse que buscava evitar credores predatórios. A tese da Atome, na leitura da Grab, é usar inteligência artificial para conceder crédito digital gerenciando risco em populações que os bancos costumam deixar de fora.

O que observar

A pergunta que fica é se o modelo de super app, que combina transporte, pagamentos e agora crédito parcelado numa base de clientes, sustenta inadimplência controlada quando o público-alvo tem histórico de crédito fino ou inexistente. Conceder crédito a quem os bancos tradicionais não atendem é justamente o segmento em que o risco de perda é mais difícil de precificar, e a aposta declarada é que a modelagem por IA dê conta dessa conta.

Vale acompanhar como plataformas de consumo que viram provedoras de crédito equilibram a promessa de acesso financeiro com a saúde da carteira. Em mercados emergentes com baixa bancarização, o BNPL pode ampliar acesso de forma real ou empurrar consumidores para dívida cara, e o teste será se a receita incremental do crédito integrado aparece sem estourar a inadimplência. Como se trata de transação proposta, o próprio fechamento e as condições regulatórias da operação também entram no radar.

Fontes: PYMNTSLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.