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Haddad diz que Lula não fez convites para diretoria do BC

Duas diretorias do Banco Central seguem vagas desde janeiro. Haddad sugeriu Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti, mas convites oficiais não foram feitos.

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· 3 min

Atualizado em

Fernando Haddad afirmou que o presidente Lula ainda não formalizou convites para as duas diretorias vagas do Banco Central, abertas desde janeiro. A declaração foi feita no último dia de Haddad à frente da Fazenda: o ministro deixa o cargo nesta sexta-feira (20) para se lançar pré-candidato ao governo de São Paulo, com Dario Durigan assumindo como sucessor.

Os nomes na mesa e a resistência do mercado

Em fevereiro, Haddad confirmou ter levado dois nomes a Lula para as diretorias de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro. O primeiro é Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, professor da Unicamp e coordenador do programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico. O segundo é Tiago Cavalcanti, membro do Trinity College da Universidade de Cambridge e professor da FGV, com formação na Universidade Federal de Pernambuco e doutorado na Universidade de Illinois.

Investidores expressaram reservas em relação a Mello, citando proximidade com o PT e pouca experiência de atuação no mercado financeiro. A indicação de Cavalcanti, com perfil acadêmico internacional, recebeu avaliação mais neutra. O mercado acompanha as nomeações de perto porque o colegiado do Copom está incompleto desde janeiro, tomando decisões sob a liderança de Galípolo com duas cadeiras vazias.

Copom: composição atual

Presidente Gabriel Galípolo

Diretoria 7 membros (de 9 previstos)

Vaga 1 Política Econômica (desde jan/2026)

Vaga 2 Organização do Sist. Financeiro (desde jan/2026)

Indicados Guilherme Mello + Tiago Cavalcanti

Status Sem convite formal de Lula

A saída de Haddad muda o jogo

A dinâmica política das nomeações se alterou com a oficialização de Haddad como pré-candidato ao governo de São Paulo, anunciada pelo PT no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo na quinta-feira (19). Com a publicação da exoneração no Diário Oficial desta sexta, Dario Durigan, até então secretário-executivo da pasta, assume o Ministério da Fazenda. Isso significa que a influência sobre quem indica os diretores passa para um novo interlocutor.

O cenário ganha outro ingrediente: a atuação recente do BC no caso do Banco Master reforçou a importância de um colegiado completo para decisões de supervisão bancária. Galípolo chegou a agradecer publicamente a Lula e Haddad pelo respaldo institucional e pela garantia de autonomia nesse episódio.

O que observar

A demora nas indicações não é trivial. Com Haddad fora da Fazenda e a janela eleitoral se abrindo em abril, a questão é se Lula definirá os nomes rapidamente sob Durigan ou se o processo se arrastará em meio ao calendário político de 2026. Vale acompanhar se a agenda regulatória ativa do BC, com a CPMI do INSS convocando Galípolo, pressiona por um colegiado completo. Outro ponto é a tramitação da PEC 65/2023, que daria autonomia financeira e orçamentária ao BC, tema que Haddad declarou apoiar desde que sob regime de direito público.

A agenda do BC segue ativa em inovação, como no LIFT Day 2026, mas a governança incompleta do Copom adiciona incerteza a um momento em que política monetária e supervisão bancária demandam atenção redobrada.

Fontes: IstoÉ Dinheiro · InfoMoney · Poder360

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