O home equity, crédito que usa o imóvel como garantia, engrenou no Sul no primeiro semestre de 2026. O paranaense Banco Bari fechou o período com alta de 79,8% em novos contratos nos três estados da região ante 2025, e o motivo mais comum para tomar o dinheiro foi limpar dívida: 37,3% das operações.
Home equity do Bari no Sul (1º semestre de 2026)
| Indicador |
Dado |
| Alta no nº de contratos |
+79,8% ante 2025 |
| Volume contratado |
+56% (mais de R$ 26 milhões) |
| Principal destino |
Quitação de dívidas (37,3%) |
| Finalidade das operações |
Cerca de 70% financia negócio de PME |
| Prazo médio de liberação |
De 60 para 14 dias |
Dados do Banco Bari no PR, SC e RS no 1º semestre de 2026. Fonte: Valor Econômico
Dívida cara empurra o tomador para o imóvel
Em valores, o desembolso subiu 56% e passou de R$ 26 milhões nos três estados. Fora quitar dívida, os tomadores direcionaram o crédito para reforma, para trocar de credor via portabilidade, para investir e para abrir empresa. No segundo trimestre de 2026, a carteira total de crédito do Banco Bari atingiu R$ 1,7 bilhão.
Para Gustavo Caciatori, diretor de operações da instituição, três forças se somam: uma população mais endividada, um consumidor que entende melhor de finanças e a contratação cada vez mais digital. Ele avalia que a linha ficou mais interessante que as alternativas, sobretudo para o empresário sem acesso ao consignado. “É um produto que, em comparação aos outros, tem taxa menor, prazo maior e, consequentemente, tem uma parcela menor. Dá um alívio no fluxo de caixa”, afirmou.
Imóvel residencial que vira capital de giro
Quem assina o contrato é quase sempre a pessoa física, mas o dinheiro vai parar no negócio: por volta de 70% das operações bancam a atividade de pequenos e médios empresários, que colocam a casa como lastro. A digitalização comprimiu o intervalo entre o pedido e a liberação do recurso. “A gente saiu de 60 dias para, em média, 14 dias”, disse Caciatori, que vê instituições especializadas e fintechs fechando operação em menos de uma semana.
Parte dessa agilidade veio do Marco Legal das Garantias, que alargou o uso de imóveis como lastro e destravou a cobrança em caso de calote. E há espaço para avançar: o crédito imobiliário equivale a cerca de 10% do PIB brasileiro, fatia abaixo da vista em economias mais maduras. É a aposta por trás de um mercado que deve movimentar US$ 1,2 bilhão até 2032, disputa que já atrai fintechs que miram virar a referência do segmento.
O que observar
Colocar a casa onde a família mora como lastro de capital de giro de um pequeno negócio amarra o risco da empresa ao patrimônio pessoal do dono. Vale acompanhar como as instituições especializadas nesse tipo de linha calibram análise e inadimplência quando quem assina é pessoa física, mas o recurso banca a atividade empresarial. A concentração da carteira em uma única modalidade também merece atenção: se a expansão continuar no ritmo atual, o teste será manter a qualidade da originação enquanto o prazo de liberação encurta e o processo se digitaliza.
Fontes: Valor Econômico • Projeção do mercado de home equity • Fintechs no home equity