A inteligência artificial (IA) já aparece no dia a dia de 92% das companhias do mercado de capitais associadas à Anbima que participaram de um levantamento inédito conduzido pela entidade ao lado do Datafolha. O recorte importa: o porcentual vem de 177 instituições que responderam entre janeiro e abril de 2026, dentro de um total de 1.500 associadas ou aderentes aos seus códigos de autorregulação, e não retrata o setor por inteiro.
IA no mercado de capitais, segundo a Anbima
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Empresas ouvidas que usam IA | 92% |
| Empresas ouvidas na amostra | 177 |
| Período de coleta | jan. a abr. de 2026 |
| Composição da amostra | 80% gestoras / 20% outras |
A pesquisa Anbima/Datafolha ouviu 177 instituições associadas ou aderentes aos códigos de autorregulação, num universo de 1.500. Fonte: Valor Econômico
Adoção larga, maturidade no meio do caminho
A adesão quase total, porém, não se traduz em maturidade. Metade da amostra que usa a tecnologia (48%) se coloca num patamar intermediário, com IA em algumas frentes e no ajuste de rotinas; um quarto (25%) descreve iniciativas soltas, de ganho pontual. Só 11% dizem tê-la conectada a processos críticos e 3% enxergam vantagem competitiva nítida. Onde a ferramenta entra, o foco é eficiência: produtividade é citada por 80% e automação de tarefas por 75%, ao passo que mexer no próprio modelo de negócio aparece para meros 6%.
Na hora de listar o que usam, os respondentes apontaram sobretudo análise de dados, ou data science (72%), e IA generativa (67%); 8% afirmaram não recorrer à tecnologia. Para Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, há um descompasso entre o presente e o que o setor projeta adiante.
“O uso de hoje é produtividade, eficiência, como eu pego esses processos repetitivos, como uso o dado de uma forma mais eficiente, como leio as coisas mais rápido”, afirmou Billi. “O mundo do futuro, que ainda é muito incipiente, é uma agenda de transformação dos negócios.”








