Saber usar IA deve pesar mais na carreira do que a experiência tradicional em finanças, na visão da maioria dos profissionais do setor. É o que mostra uma pesquisa da Bloomberg com 500 profissionais do mercado financeiro em Londres: 85% acham que as habilidades de IA vão superar o conhecimento clássico e 88% já recorrem a ferramentas de IA toda semana.
O que 500 profissionais de finanças em Londres disseram
| Resposta |
% |
| IA vai superar a experiência na carreira |
85% |
| Já usam IA toda semana |
88% |
| Ganharam produtividade |
90% |
| Reinvestem tempo em estratégia e clientes |
51% |
| Maior receio: ciberataques com IA |
45% |
Pesquisa Bloomberg com 500 profissionais de serviços financeiros em Londres. Fonte: FF News
Cada um aprende por conta própria
Em vez de esperar treinamento da empresa, a turma corre atrás sozinha. Mais da metade, 53%, usa a própria IA para aprender sobre IA, 50% experimenta no tempo livre e 44% recorre a vídeos on-line. Só 40% dependem de programas formais do empregador. A pressa tem motivo: 69% acham que quem trava diante da tecnologia não tem mais lugar na firma. “Ficar bom em IA não exige um doutorado em ciência da computação, exige curiosidade e conhecimento do próprio ofício”, disse Amanda Stent, que chefia a estratégia e a pesquisa de IA no escritório do CTO da Bloomberg.
A máquina acelera, o humano decide
O ganho de produtividade é quase unânime (90%), mas não encurta a jornada: 75% seguem com carga alta. O que muda é o destino do tempo. Metade (51%) despeja as horas livres em estratégia e relação com clientes, enquanto 48% cortaram tarefa administrativa repetitiva. O medo de perder o emprego é baixo (30% temem sumiço de vagas de entrada), bem menor que o receio de ataques cibernéticos turbinados por IA. No Brasil, o mesmo roteiro já roda: um grande banco criou um copiloto de IA para seus gerentes, e a tecnologia já projeta impacto nos empregos de finanças.
Ainda assim, o comando fica com gente. Metade (51%) aponta risco e compliance como a área que mais precisa de olho humano, seguida de 40% que exigem controle humano em investimento e trading. Apenas 1% acha que a IA deveria operar sem ninguém por cima. É a experiência que separa o sinal do ruído, na leitura da própria pesquisadora. “Um modelo pode detectar um padrão; é preciso um operador ou analista com anos de estrada para saber se aquele padrão é um sinal que importa ou apenas ruído”, afirmou Stent. Na mesma direção, outro grande banco coloca copilotos de IA nas mãos de assessores para liberar tempo de decisão.
O que observar
O recado é menos sobre substituição e mais sobre recomposição do valor: quando a informação vira commodity, o que fica escasso é o julgamento. Vale acompanhar se bancos e fintechs no Brasil tratam fluência em IA como pré-requisito de contratação, e se investem em formação interna no ritmo em que a base de profissionais já experimenta por conta própria. A tensão prática aparece nas áreas de risco, compliance e trading, onde a régua regulatória exige responsável humano identificável: nesses times, o teste é integrar copilotos sem diluir a cadeia de responsabilidade, um ajuste que tende a se estender por 2026.
Fontes: FF News