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Inadimplência em banco digital cresce 11x mais que clientes

Estudo Equifax BoaVista mostra que inadimplência em bancos digitais subiu 163% entre 2021 e 2025, enquanto a base de clientes cresceu apenas 14,95%.

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Shutterstock

A base de clientes em bancos digitais brasileiros cresceu 14,95% entre 2021 e 2025, mas o número de inadimplentes avançou 163,33% no mesmo período. A diferença é de quase 11 vezes. Os dados são do estudo “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026”, da Equifax BoaVista, que analisou mais de 165 milhões de CPFs e foi divulgado em 2 de junho.

Inadimplência: digitais sobem, tradicionais caem

Produto Digitais 2021 Digitais 2025 Tradicionais 2021 Tradicionais 2025
Cartão de crédito 7,71% 20,31% 14,57% 13,60%
Empréstimo pessoal 6,55% 13,93% 15,24% 12,99%

Taxa de clientes inadimplentes por tipo de instituição. Fonte: Valor

Como inclusão e inadimplência cresceram juntas

Os bancos digitais passaram a atender de forma exclusiva 47,1% dos brasileiros com cartão de crédito ativo em 2025, avanço de 19,2 pontos percentuais ante 2021. No empréstimo pessoal, a fatia de clientes exclusivos chegou a 51,8%, alta de 33,8 pontos. Boa parte desse crescimento veio de quem nunca tinha acessado crédito antes: 41,4% dos cartões emitidos por digitais foram o primeiro cartão do cliente, contra 4,9% nos bancos tradicionais. O saldo de crédito ativo das fintechs cresceu mais de 360% no período, contra 35,7% dos incumbentes, segundo a mesma base. Bancos como o Nubank superaram 135 milhões de clientes nos últimos 13 anos, dimensionando o tamanho do bolo redistribuído.

A inclusão chegou com força na baixa renda. O percentual de brasileiros que ganham até um salário mínimo e têm cartão ativo passou de 6% para 20,5% entre 2021 e 2025. No empréstimo pessoal, esse grupo saiu de quase 5% para mais de 14%. Foi nesse recorte, no entanto, que a inadimplência mais escalou: no cartão, saltou de cerca de 9,5% para aproximadamente 33%; no empréstimo, subiu de pouco mais de 8% para 25%.

Por que as carteiras divergem

Enquanto as fintechs absorveram clientes novos, os bancos tradicionais reduziram a própria inadimplência. No cartão, a taxa dos incumbentes caiu de 14,57% para 13,60%. No empréstimo pessoal, de 15,24% para 12,99%. A divergência sugere carteiras com perfis estruturalmente diferentes, e modelos de avaliação de risco diferentes também.

“Mas os resultados também sugerem a necessidade de aprimoramento dos métodos de ‘score’ de crédito por parte dos ‘neobanks’, que atualmente focam no comportamento dos clientes dentro da própria instituição”, afirmou Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que participou voluntariamente do estudo. A leitura conversa com o que o próprio Nubank vem dizendo sobre seus pilares de IA aplicada ao crédito: modelos cada vez mais sofisticados, mas ainda dependentes de sinais internos.

O que observar

O ponto sensível está na próxima safra de aprovação. Se fintechs de crédito ao consumo continuarem capturando inclusão de baixa renda no mesmo ritmo, a taxa agregada do mercado tende a piorar mesmo com bancos incumbentes melhorando. Vale acompanhar como modelos de score que se apoiam em comportamento intra-instituição vão se cruzar com dados externos do open finance: a tese é que carteiras com leitura de fluxo de caixa de fora reduzem a assimetria que hoje produz aprovação acima da capacidade de pagamento.

Outra frente é o lado merchant da equação: bandeiras e adquirentes carregam parte da exposição via chargeback e disputa, e podem reagir endurecendo regras para emissores com inadimplência fora da curva. Reguladores também tendem a olhar com mais atenção para produtos de cartão revolving e empréstimo digital direcionados a quem ganha até um salário mínimo, especialmente se a inadimplência desse grupo continuar próxima de um terço.

Fontes: ValorInfoMoney

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