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CréditoCrédito · Banco Central

Inadimplência do crédito bate recorde apesar do Desenrola

Inadimplência média subiu de 4,6% para 4,7% em maio, recorde da série iniciada em 2011, mesmo com o novo Desenrola em vigor, aponta o Banco Central.

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Atualizado em

Foto de Towfiqu barbhuiya na Unsplash

A taxa média de inadimplência do sistema financeiro brasileiro fechou maio de 2026 em 4,7%, uma décima acima do resultado de abril e o maior patamar da série iniciada em março de 2011. O salto ocorreu na largada do novo Desenrola, pacote de repactuação de dívidas que estreou justamente em maio, segundo o boletim mensal divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Banco Central.

Inadimplência e rotativo do cartão em maio

Indicador Abril Maio Marco
Inadimplência total 4,6% 4,7% Recorde desde mar/2011
Famílias 5,5% 5,6% Recorde da série
Empresas 3,1% 3,24% Maior desde nov/2017
Recursos livres 6,1% 6,2% Alta
Recursos direcionados 2,7% 2,8% Alta
Rotativo do cartão (a.a.) 432,0% 439,9% Alta

Inadimplência (% do saldo em atraso acima de 90 dias) e taxa média do rotativo em 1º de julho de 2026. Fonte: Banco Central

Alta no primeiro mês do novo Desenrola

O novo Desenrola começou a operar em maio. Em 10 de junho, o Let’s Money mostrou que o programa já havia tirado mais de 4 milhões de brasileiros das listas privadas de inadimplência. Os números divulgados agora pelo BC medem o estoque total das operações e mostram que o efeito líquido ainda não conteve a curva. A alta atingiu todas as pontas: entre famílias, a taxa fechou o mês em 5,6% (contra 5,5% em abril de 2026, também um recorde), enquanto entre empresas foi a 3,24%, ante 3,1%, no maior nível desde novembro de 2017.

Não é surpresa. Em 29 de maio, o Let’s Money já apontava que o próprio BC enxergava risco de o Desenrola empurrar a estatística de pessoas físicas para 5,4% ainda em abril de 2026. O número de maio veio duas décimas acima disso. No mesmo mês, a Caixa Econômica renegociou R$ 5,5 bilhões pelo programa, dando ideia do volume que passa pelo canal público de repactuação.

Juros médios caem, rotativo dispara

O juro médio anual do sistema recuou 0,1 ponto no mês, para 33,4%. A queda foi puxada pelo crédito às empresas, que recuou 0,2 ponto aos 21,6%, enquanto pessoa física estabilizou em 38,9%. Nas linhas específicas, o retrato inverte. O rotativo do cartão, que já era o teto do sistema, chegou a 439,9% ao ano (contra 432% em abril de 2026). O parcelado subiu para 189,6% ao ano, vindo dos 188,1% do mês anterior. O cheque especial recuou para 138,3%, ante 140,9%. O estoque total do sistema fechou maio de 2026 em R$ 7,3 trilhões, com alta de 0,6% no mês e de 9,5% em 12 meses.

O que observar

O primeiro mês completo do novo Desenrola vai medir seu tamanho nos próximos boletins do BC. Vale acompanhar se a onda de renegociação freia a curva antes que o estoque em atraso volte a subir, ou se a alta se acomoda em patamar novo, alimentada por concessões que também cresceram no mês. O comportamento é desigual entre segmentos: bancos digitais têm registrado ritmo mais rápido de inadimplência do que a expansão da própria base de clientes, o que sugere que a curva não é uniforme. E o teto de 439,9% ao ano no rotativo, justo num mês em que a média do sistema cede, aponta para concentração do problema nas pontas mais caras do crédito ao consumidor.

Fontes: Valor EconômicoBanco CentralLet’s Money: Desenrola tira 4 milhões de listasLet’s Money: BC vê Desenrola empurrando PF a 5,4%Let’s Money: Caixa renegocia R$ 5,5 biLet’s Money: inadimplência em banco digital 11x

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