A Índia quer levar seu sistema público de pagamentos instantâneos de 750 milhões para 1 bilhão de transações por dia, e o chefe da operadora aposta a próxima onda em inteligência artificial. O equivalente local é o UPI, primo indiano do Pix em escala maior.
A próxima onda do UPI passa pela IA
Em entrevista ao TechCrunch durante o Mumbai Tech Week de maio, Dilip Asbe, CEO da NPCI (a corporação que conduz o UPI sob mandato do banco central indiano), defendeu que IA estará no centro de quatro frentes da próxima fase: detecção de fraude e contas-laranja, crédito baseado em pegada digital, onboarding por voz em vários idiomas e acesso de novos usuários.
“A IA será usada de forma muito eficaz quando olharmos para a próxima onda do UPI, e isso inclui todos os aspectos, inclusive alcançar novos usuários”, disse Asbe ao TechCrunch (em tradução livre). A meta declarada pelo executivo é levar o UPI dos 750 milhões de pagamentos diários atuais para 1 bilhão.
Pagamentos instantâneos: UPI e Pix em volume diário
Sistema
Volume diário
Referência
UPI (Índia)
750 milhões
média jun/2026
UPI (meta)
1 bilhão
declarada por Dilip Asbe
Pix (Brasil)
313 milhões
recorde 05/dez/2025
Volume diário em sistemas públicos de pagamento instantâneo. Fontes: TechCrunch e Agência Brasil.
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Modelo próprio, voz multilíngue e o paralelo brasileiro
A NPCI já testa a tese internamente. Em fevereiro de 2026, lançou o FiMI, um modelo de linguagem específico para o ecossistema de pagamentos indiano, com suporte a hindi, tâmil, bengali e inglês. Hoje, segundo Asbe, o FiMI atende mais de 1 milhão de usuários em cancelamento de mandatos e resolução de disputas.
Asbe vê o diferencial competitivo nos modelos pequenos e específicos por país. “Acreditamos que os modelos vão se diferenciar uns dos outros com base nos conjuntos de dados disponíveis para eles”, afirmou (em tradução livre). A leitura é que a Índia tem dados suficientes para treinar modelos próprios em vez de depender de generalistas externos.
Em entrevista ao podcast Let’s Money em outubro de 2025, Ticiana Amorim, CEO da Arin, defendeu que protocolos como o MCP marcam uma transição em que “API REST talvez tenha seus dias contados” e a linguagem conversacional passa a comandar sistemas no back-end.
“Acredito que há múltiplas razões pelas quais vemos esse risco de concentração existir, e uma das razões importantes é a disponibilidade de um modelo comercial viável”, disse Asbe (em tradução livre). O BHIM, app público da NPCI desmembrado em 2024 para dar concorrência aos líderes, tem cerca de 1% do mercado.
O que observar
Operadores de sistemas públicos de pagamento instantâneo seguem buscando o próximo motor de crescimento depois da curva inicial de adoção. A pergunta aberta é se modelos de IA proprietários, sob controle do operador do sistema, conseguem cumprir a tripla função de combater fraude, originar crédito e habilitar onboarding por voz dentro do mesmo trilho regulado. Vale acompanhar como autoridades monetárias que conduzem essa infraestrutura vão lidar com a concentração no mercado de apps e ao mesmo tempo evoluir a camada de inteligência sem terceirizá-la a modelos generalistas externos.