Ir para o conteúdo

PagamentosInternacional · Índia

Índia vai cobrar lojista na UPI em pagamentos maiores

A Índia vai cobrar taxa de 0,4% dos lojistas em pagamentos acima de 2.000 rupias na UPI a partir de 15 de outubro. O consumidor segue sem pagar.

por

· 3 min

Atualizado em

Arnav Pratap Singh / Shutterstock.com

A Índia vai cobrar dos lojistas uma taxa de 0,4% em pagamentos acima de 2.000 rupias na UPI, sua rede pública de transferências instantâneas, a partir de 15 de outubro. A cobrança só vale para transações acima de 2.000 rupias (cerca de US$ 21) e encerra o modelo gratuito que vigora desde 2020. O consumidor segue sem pagar.

A nova cobrança na UPI, a partir de 15 de outubro

Faixa Cobrança do lojista
Até 2.000 rupias (cerca de US$ 21) Gratuito
Acima de 2.000 rupias (regra geral) 0,4%, com teto de 300 rupias (cerca de US$ 3)
Ferrovias, telecom, seguros e combustível 5 rupias fixas por transação acima de 2.000
Mercado de capitais 0,02%, com teto de 300 rupias
Pequeno lojista até 100.000 rupias/mês (cerca de US$ 1.041) Isento

Regras da nova taxa de lojista da UPI, anunciadas pela NPCI. Fonte: TechCrunch

Um modelo grátis desde 2020 sob pressão de custo

A UPI é gratuita para os lojistas aceitarem desde que a Índia eliminou as taxas de aceitação em janeiro de 2020, para acelerar a adoção. Desde então, o governo subsidiou bancos e empresas de pagamento pelo processamento de parte dessas transações. A operadora da rede, a NPCI, argumenta que o custo de rodar o sistema nessa escala tornou o modelo insustentável: estimativas da indústria repassadas pela entidade colocam o gasto anual em cerca de 200 bilhões de rupias (cerca de US$ 2,1 bilhões), entre servidores, prevenção a fraude e suporte técnico.

A dimensão explica a conta. Só em agosto, a UPI processou 24,51 bilhões de transações, no valor de 29,9 trilhões de rupias (cerca de US$ 312 bilhões), segundo dados da NPCI. Escanear um QR code virou uma das formas mais comuns de pagar no país. A tensão entre gratuidade e custo de operação não é exclusiva da Índia: no Brasil, o Pix já divide o balcão com os cartões sem cobrar aceitação, sustentado por uma infraestrutura pública do Banco Central.

O que a taxa poupa e o que ela mira

O desenho protege o varejo de baixo tíquete. Pagamentos de até 2.000 rupias respondem por mais de 95% das transações de lojista da UPI em volume e continuam de graça, e pequenos comerciantes que recebem até 100.000 rupias por mês pela rede ficam isentos. O caminho legal foi aberto em agosto de 2026, quando o país alterou a lei de pagamentos para permitir taxas em algumas transações UPI; uma notificação de segunda-feira definiu que bancos não podem cobrar em pagamentos de até 2.000 rupias.

A NPCI diz que a receita das novas taxas será distribuída entre os participantes do ecossistema e usada para financiar infraestrutura, cibersegurança, prevenção a fraude e atendimento. Parte irá para um fundo de expansão em cidades menores e áreas rurais, cujos detalhes serão definidos com o banco central nos próximos três meses. Lojistas não poderão repassar a cobrança ao consumidor. “A pergunta certa é: qual é o custo de oportunidade de cobrar pelas transações na UPI e quais são seus benefícios sociais?”, afirmou Krishnamurthy Subramanian, ex-conselheiro econômico-chefe do governo da Índia, que defende tratar a rede como infraestrutura pública digital.

O que observar

O teste real chega quando a taxa entrar em vigor. A pergunta prática é se lojistas de margem apertada absorvem os 0,4% nos tíquetes maiores ou passam a estimular outros meios de pagamento nessas compras, justamente onde a gratuidade era o principal atrativo da rede. O recorte por faixa de valor tenta preservar o pequeno varejo, mas concentra o custo em quem vende caro.

No pano de fundo há uma questão que vale para qualquer rede de pagamento instantâneo tratada como infraestrutura pública: como financiar a operação sem corroer a adoção que a tornou onipresente. No Brasil, o mesmo tipo de trilho gratuito chegou a um recorde de 318 milhões de transações em um só dia, e o debate sobre sustentabilidade de longo prazo tende a acompanhar essa escala.

Fontes: TechCrunchLet’s Money: Pix na maquininha cresce 54% e débito recua 4% em 2025Let’s Money: Pix bate recorde diário com 318 milhões de transações

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.