A India desistiu de obrigar que fabricantes como Apple e Samsung pré-instalem o app de ID biométrico oficial do país, após resistência das empresas. O episódio serve de referência para o Brasil, onde avançam discussões sobre o gov.br na carteira digital e biometria no Pix.
O Aadhaar em números
| Dado |
Detalhe |
| Usuários |
cerca de 1,34 bilhão de residentes |
| Estrutura |
número único de 12 dígitos + impressões digitais + iris scans |
| Aplicações |
serviços bancários, telecomunicações e entrada em aeroportos |
| Pedido da UIDAI |
janeiro de 2026, para obrigar pré-instalação em iPhone e Galaxy |
| Decisão do ministério de TI |
não obrigar, após consulta com indústria de eletrônicos |
Dados sobre o Aadhaar, ID biométrico da India. Fonte: PYMNTS
Como o ID biométrico da India funciona
O Aadhaar é o sistema indiano de identidade única: 12 dígitos atrelados a impressões digitais e íris, usado por cerca de 1,34 bilhão de residentes para verificação em serviços bancários, telecomunicações e entrada em aeroportos. A UIDAI, autoridade responsável pelo app, pediu em janeiro ao ministério de TI que a pré-instalação fosse obrigatória em celulares vendidos no país. “O ministério de TI não é favorável a impor a pré-instalação do Aadhaar App em smartphones”, afirmou a UIDAI em nota.
Segundo a PYMNTS, os fabricantes de smartphones questionaram o plano por preocupações com segurança do dispositivo, compatibilidade e custo maior de montar uma linha específica para a India. O ministério disse ter consultado a indústria de eletrônicos antes de descartar a obrigação. Em 2025, a India já havia adotado autenticação biométrica no seu sistema nacional de pagamentos instantâneos, o UPI, com dados armazenados no Aadhaar.
O paralelo com o Brasil
No Brasil, o caminho escolhido para identidade digital e biometria em pagamentos é outro. A funcionalidade Pix Biometria estreou em fevereiro de 2025 e é obrigatória desde 2 de janeiro de 2026 para todas as instituições detentoras de conta no arranjo, segundo o Banco Central, usando Liveness Detection e dados biométricos armazenados no banco do cliente. A Carteira de Identidade Nacional (CIN), que passa a ser a base biométrica do governo federal a partir de maio de 2026, fica disponível no app gov.br e não depende de pré-instalação pelo fabricante do aparelho.
Em outros mercados, a biometria em pagamento ganha tração. Uma pesquisa do PYMNTS com consumidores dos Emirados Árabes Unidos mostrou que 32% usaram biometria na última compra online, cerca do dobro da média global de 18,5%. No Leste Europeu, 9 em cada 10 ucranianos pedem biometria nos pagamentos, segundo levantamento recente.
O que observar
Forçar pré-instalação de app estatal de identidade em smartphones é política que contrapõe interesses: governos querem alcance universal, fabricantes de dispositivo querem preservar neutralidade de plataforma, e operadores de serviços financeiros precisam de biometria confiável para autenticação. Quando o regulador recua, o caminho preferencial de distribuição passa a ser o aplicativo oficial voluntário, e não a exigência direta aos fabricantes de hardware.
Vale acompanhar se governos e operadores de pagamento em outros países seguem a trilha de adoção voluntária ou tentam rota semelhante ao plano cancelado. No Brasil, a expansão da CIN digital e a obrigatoriedade do Pix Biometria correm via aplicativo oficial, sem pressão sobre fabricantes de aparelho. O próximo marco doméstico é o balanço dos primeiros seis meses de Pix Biometria obrigatório, esperado a partir de julho.
Fontes: PYMNTS • Convergência Digital • Let’s Money – Pix Biometria: o fim do copia e cola • Let’s Money – 9 em cada 10 ucranianos querem biometria