O Inter entrou no mercado de publicidade. O banco criou o Inter Ads e passou a vender espaço de anúncio no próprio aplicativo, colocando marcas diante de 44 milhões de clientes. A tecnologia de entrega vem do Google, via Ad Manager.
Onde o Inter Ads exibe anúncios no super app
Superfície
Formato
Tela inicial
Banner
Investimentos
Anúncio contextual
Pix
Anúncio no fluxo de transferência
Recarga
Anúncio no fluxo de recarga
Marketplace
Anúncio de produto
Pós-transação
Anúncio após a operação
Áreas do super app previstas para receber mídia. Fonte: Meio & Mensagem
O que o Inter Ads coloca no app
A ideia é o que o mercado chama de financial media: vender publicidade dentro do contexto financeiro, aproveitando o momento em que a pessoa já está pagando, investindo ou recarregando crédito. Segundo o Meio & Mensagem, o super app registra 20 milhões de acessos diários, e os anúncios vão ocupar áreas como tela inicial, investimentos, Pix, recarga, marketplace e as telas exibidas logo após uma transação.
O banco vem empilhando funções nesse app faz tempo, do Pix por aproximação ao Forum, comunidade financeira que estreou no super app faz mais de um ano. O Inter Ads transforma esse tráfego acumulado em inventário publicitário.
“O futuro da mídia está em falar melhor, no momento e contextos certos e com respeito ao cliente […] mantendo aquilo que é inegociável para o Inter: confiança, segurança e experiência”, disse Rodrigo Gouveia, diretor executivo de Comércio e Ecossistemas do Inter.
Publicidade
Dado financeiro como diferencial
O ativo que o Inter oferece às marcas é o comportamento de consumo dos clientes: o que compram, como transacionam e quando.
“A funcionalidade amplia a nossa relação com o cliente, estando presente de forma relevante e contextual, na hora certa para o cliente”, afirmou Priscila Salles, diretora executiva de Clientes do Inter.
A plataforma aplica controles de marca, seleciona formatos e restringe categorias de anunciante, dentro da lei de proteção de dados.
O movimento não é isolado. Há poucas semanas, outro grande banco brasileiro internalizou a operação de mídia digital, sinal de que a base de clientes e a atenção dentro dos apps viraram fonte de receita disputada pelas instituições financeiras.
O que observar
O movimento coloca bancos digitais na mesma disputa por verba publicitária que já mobiliza grandes varejistas e marketplaces. A vantagem que instituições financeiras trazem é o dado de comportamento: saber como alguém paga, investe e recarrega crédito diz mais sobre intenção de compra do que histórico de navegação. Vale acompanhar se a conversão desses anúncios contextuais compensa o risco de fricção numa jornada em que o usuário espera segurança, não oferta. E há a camada regulatória: autoridades de proteção de dados e o próprio Banco Central tendem a olhar de perto como a informação transacional passa a alimentar segmentação de mídia, um uso que vai além da relação bancária original.