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Inter recua no crédito sem garantia e aposta em consignado

Inter muda foco para crédito com garantia e abandona meta 60-30-30. Custo de risco revisado para 5,5%-6% e Citi rebaixa ação para neutro.

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Atualizado em

O Inter (INTR) está mudando o foco de concessões para linhas de crédito com garantias, como consignado, antecipação de FGTS, recebíveis e empréstimo com garantia de imóvel, enquanto se torna mais conservador na concessão de limites de cartão de crédito para novos clientes. “Quando vemos uma piora de tendência, nós reduzimos o nosso apetite a risco”, disse João Vitor Menin, cofundador e CEO global do banco, em entrevista à Bloomberg News em Nova York.

Inter em números: abril 2026

Métrica Valor
Clientes 44 milhões (+650 mil/mês)
Contas globais abertas ~6 milhões
Investimentos nos EUA US$ 2 bilhões
Custo de risco (guia) 5,5%-6,0% (ante 5,0%-5,5%)
Crescimento de receita até 35% a.a.
ROE atual ~15%

Dados divulgados pelo CEO em entrevista em Nova York. Fonte: Bloomberg Línea

Crédito colateralizado como estratégia defensiva

A mudança de mix contrasta diretamente com a posição do Nubank (NU), que continua tendo linhas sem garantias como alavanca. O Inter está apostando que o ciclo de juros altos persiste: Menin afirmou que o Brasil deve manter taxas elevadas por pelo menos mais dois anos, independentemente do resultado da eleição presidencial de outubro. Com ações caídas mais de 10% no último ano, o banco enfrenta ceticismo de investidores sobre a qualidade dos ativos na transição. O Citi reduziu a recomendação dos papéis de compra para neutra este mês. “Com baixa visibilidade à frente e os frutos mais imediatos já incorporados, acreditamos que a próxima etapa de entregas pode ser mais desafiadora”, escreveu Gustavo Schroden, analista do Citi, em nota a clientes.

O consignado privado já se tornou uma das apostas mais concretas do banco nessa direção. A carteira do Inter nessa linha cresceu de R$ 200 milhões para R$ 2,5 bilhões em um ano, num segmento que já movimenta R$ 110 bilhões no Brasil e onde fintechs como Inter e PicPay ganham espaço.

A “regra dos 50” substitui o 60-30-30

O banco adota uma nova métrica de desempenho que combina taxa de crescimento de receita e retorno sobre patrimônio líquido (ROE). Com a receita crescendo até 35% ao ano e o ROE próximo de 15%, o banco está perto de atingi-la. A métrica vai direcionar a companhia pelos próximos três ou quatro anos, segundo Menin. O plano anterior, o “60-30-30”, buscava 60 milhões de clientes, eficiência de 30% e ROE de 30% até 2027. “Não queremos apenas um ROE de 30% e um índice de eficiência de 30%”, disse Menin. “Queremos um negócio que tenha escala.”

O custo de risco foi revisado para cima, de 5%-5,5% para 5,5%-6%, refletindo o ciclo de crédito mais adverso. O Inter também está testando conta global na Argentina, com lançamento mais amplo previsto para depois da Copa do Mundo, em julho. A aprovação do Fed para operar nos EUA, obtida no início do ano, sustenta a expansão: o Inter tem US$ 2 bilhões em investimentos de cerca de 6 milhões de clientes com contas globais.

O que observar

A aposta em crédito colateralizado posiciona o Inter em segmentos onde bancos de varejo tradicionais têm escala e capilaridade consagradas. O teste será se o modelo de distribuição digital consegue compensar a ausência de rede física para originar e servir carteiras de consignado privado e crédito imobiliário com inadimplência baixa. Vale acompanhar se o custo de risco revisado para 5,5%-6% representa o piso do ajuste ou o início de um intervalo maior.

A mudança de métrica, do 60-30-30 para a “regra dos 50”, também merece atenção: o novo indicador combina crescimento e rentabilidade numa soma que o banco já está próximo de atingir. Fintechs que mantêm linhas sem garantia como alavanca de crescimento e fintechs que recuam para crédito colateralizado estão fazendo apostas inversas no mesmo ciclo. A divergência de estratégia tornará os próximos balanços comparativos uma referência clara de qual modelo performa melhor em juros elevados.

Fontes: Bloomberg LíneaSeu DinheiroLet’s Money

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