O Inter colocou no ar a “Preço em Tempo”, que calcula quantas horas de trabalho pagariam um produto e mostra o número enquanto a pessoa percorre lojas online. O objetivo declarado é dar peso concreto ao gasto e, no mesmo gesto, abrir um atalho para investir ou resgatar cashback no Super App, que já passa de 44 milhões de clientes.
Como funciona a “Preço em Tempo”
| Passo |
O que acontece |
| 1. Cadastro |
Pessoa informa quanto ganha por mês |
| 2. Exibição |
Cada item mostra seu custo em tempo de expediente |
| 3. Alcance |
Chrome no PC, Safari no iPhone e rastreio de valores no Android |
| 4. Atalho |
Um toque leva o valor a investimento ou cashback no app |
Passo a passo da ferramenta Preço em Tempo, do Inter. Fonte: TechTudo
Como o Inter quer materializar o custo do tempo
A ideia saiu de uma campanha assinada pela agência Talent, com tecnologia da 20Dash, e chega ao público pela voz de rostos conhecidos das compras: Ciro Bottini, o apresentador de vendas pela TV, ao lado de Aracy, da TopTherm, e do empreendedor Sebastian Soul. O pano de fundo é comportamental. O SPC Brasil, citado pelo banco, aponta que 35% da população já se endividou ao gastar acima do que ganha.
“Criamos uma ferramenta que converte o preço de um produto em horas de trabalho, materializando a dedicação necessária para obtê-lo”, diz Gustavo Victorino, que comanda a área de criação na Talent. Do lado do banco, o discurso reforça o elo com o resto do app. “Comprar bem significa entender melhor o valor do próprio tempo, ter benefícios adicionais como cashback, e fazer o dinheiro trabalhar a seu favor”, resume Andrea Nocciolini, responsável pelo branding da instituição.
A ferramenta como porta para o Super App
Mais do que uma calculadora, a novidade funciona como uma entrada para o ecossistema. Vista a conta em horas, o passo seguinte oferecido é redirecionar aquele dinheiro para uma aplicação ou para benefícios de cashback, sem sair do aplicativo. O banco enquadra o lançamento como mais um ponto de contato para conduzir o cliente ao longo da vida financeira dentro do app.
O movimento acompanha o ritmo de novidades da casa, que vem esticando as frentes do Super App e testando produtos, do anel e da pulseira de pagamento lançados nos Estados Unidos a formatos de mídia e serviços. No Android, o rastreio de preços alcança até ambientes de terceiros, o que estende a conversão para fora dos canais próprios da instituição.
O que observar
Ferramentas de finanças pessoais que traduzem preço em esforço ganham tração quando reduzem uma decisão abstrata a uma unidade concreta, e a hora de trabalho é uma métrica intuitiva. A pergunta prática é de engajamento sustentado: extensões de navegador voltadas a consumo costumam ter instalação alta e retenção incerta, e o valor real só aparece se a reflexão vira hábito recorrente. Vale acompanhar como plataformas que capturam a intenção de compra fora dos próprios canais equilibram o discurso de consumo consciente com o incentivo a produtos financeiros, já que a mesma ferramenta que sugere segurar uma compra também empurra o próximo passo dentro do ecossistema. Para o setor, o teste é se materializar o custo do tempo muda comportamento de gasto ou apenas soma mais uma camada à disputa por atenção no ponto de decisão.
Fontes: TI Inside • TechTudo • Let’s Money • Let’s Money