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FintechFintech · Crédito

Entidade de contadores cria fintech com conta e crédito

IPC cria a fintech Decifra para oferecer conta e crédito a clientes de contadores, com integração a softwares contábeis e meta de 70 mil clientes.

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· 3 min

Atualizado em

Luiz Fernando Nóbrega, presidente do IPC — Foto: Divulgação

O Instituto Paulista de Contabilidade (IPC) está criando uma fintech para oferecer conta transacional e produtos de crédito aos clientes de contadores e escritórios contábeis. Batizada de Decifra, a plataforma vai se integrar a softwares contábeis, tem lançamento previsto ainda para 2026 e meta de alcançar ao menos 70 mil clientes.

Decifra: o plano de lançamento

Produtos na estreia Conta transacional e crédito
Integração Cerca de 5 grandes softwares contábeis, além de provedores menores
Meta de clientes Ao menos 70 mil
Lançamento previsto Ainda em 2026
Próximos passos Maquininhas e antecipação de recebíveis de cartões

Plano de lançamento da fintech Decifra, do IPC. Fonte: Valor Econômico

Por que uma entidade de contadores quer virar fintech

O ponto de partida é uma dor antiga da rotina contábil: a conciliação entre informações contábeis e bancárias. “Os extratos bancários, por exemplo, muitos deles são truncados, todos abreviados, dificulta a conciliação. E a nossa solução vai buscar não só melhorar essa rotina de um extrato bancário, mas nós vamos conversar com softwares contábeis”, disse Luiz Fernando Nóbrega, presidente da entidade, ao Valor.

O IPC é uma entidade de direito privado voltada à comunidade contábil de São Paulo, com atuação em educação, cultura e assistência à categoria. A aposta comercial da Decifra usa a capilaridade desses profissionais como canal de distribuição. “Eu costumo brincar que eu vou ter sempre 50 mil vendedores na rua, que são os contadores [associados]. Se eu pensar nacionalmente, eu tenho 500 mil vendedores [contadores no país]”, afirmou Nóbrega.

Dados contábeis como insumo de crédito

A Decifra será lançada com conexão a cerca de cinco dos grandes softwares contábeis do país, além de provedores menores, e o IPC já mantém conversas técnicas com essas companhias. O cliente terá que autorizar a troca de informações entre o software e a fintech, fluxo que a entidade quer estruturar dentro das exigências da LGPD. A expectativa é que o acesso ao dado contábil permita análises de crédito mais assertivas, com taxas menores e menos burocracia na contratação.

O desenho aproxima a Decifra de um movimento que já aparece lá fora, em que os dados que circulam no ecossistema contábil viram base de análise de crédito: a Stripe liberou US$ 150 milhões em crédito para contadores nos Estados Unidos e na Austrália, com elegibilidade definida pelos dados de pagamento que já correm na plataforma.

Depois da estreia com conta e crédito, o plano do IPC inclui maquininhas de pagamento e antecipação de recebíveis de cartões, serviço que Nóbrega espera ver ganhar peso com a mudança no recolhimento de impostos. “A reforma tributária vai mexer bastante no caixa das empresas. […] eu preciso ter essas soluções prontas em 2027, para que as empresas mitiguem isso”, explicou. O cruzamento entre contabilidade e serviços financeiros também atrai bancos grandes: o Banco do Brasil quer ser braço contábil das empresas na reforma tributária.

O que observar

A novidade coloca entidades de classe num papel que até aqui era disputado por fintechs de crédito e bancos digitais: o de dono da relação financeira com a pequena empresa. Se a integração com softwares contábeis entregar o que promete, o dado contábil estruturado vira um insumo de análise de crédito com granularidade que nem o Open Finance oferece hoje, já que captura a contabilidade inteira do negócio, e não apenas o extrato bancário.

Vale acompanhar se os provedores de software contábil vão aceitar o papel de fornecedores de dados ou se vão preferir monetizar ofertas financeiras próprias, e se escritórios de contabilidade conseguem atuar como canal de venda sem transformar a relação de confiança com o cliente em conflito de interesse. A pergunta que fica é se a promessa de taxas menores se confirma quando a carteira de crédito começar a rodar.

Fontes: Valor EconômicoInstituto Paulista de Contabilidade

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