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RegulaçãoPix · EUA

Itamaraty responde aos EUA e defende o Pix de sanção

Brasil protocolou resposta ao USTR dizendo que a investigação da Seção 301 não provou que o Pix prejudica empresas americanas. Tarifa de 25% é inadequada.

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gustavomellossa / Shutterstock.com

O Pix voltou ao centro do braço de ferro comercial entre Brasil e Estados Unidos. Nesta quarta (1º), o Itamaraty protocolou uma resposta formal ao órgão de comércio dos EUA sustentando que a investigação aberta contra o país não comprovou que o sistema de pagamentos brasileiro prejudica ou barra empresas americanas. O documento também rejeita a tarifa de 25% sobre produtos nacionais.

O que o Brasil respondeu ao USTR

Ponto Argumento do governo brasileiro
Sobre o Pix EUA não mostraram que o sistema penaliza empresas americanas
Acesso ao Pix Participação aberta e não discriminatória
Tarifa de 25% Inadequada; traria custos aos próprios EUA
Base legal Seção 301 não daria “carta branca” para sanção

Argumentos do Brasil na resposta ao USTR, em documento de 29 páginas. Fonte: Valor

Pix no centro da disputa

O documento tem 29 páginas e leva a assinatura do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Ele responde às conclusões da apuração que o USTR, braço de comércio exterior do governo americano, abriu com base na Seção 301 da lei de comércio dos EUA, que já tinha posto o Pix na mira da disputa. Meses atrás, o Brasil já havia rebatido a apuração que mira o Pix, e o embate escalou quando os EUA acusaram o Banco Central de conflito de interesses ao operar o sistema.

Segundo Vieira, nem o texto original da queixa aponta normas discriminatórias por nacionalidade nem prova que companhias dos EUA tenham sido barradas do setor de meios de pagamento no país. Para o Itamaraty, o efeito prático do sistema é o inverso. “Ao contrário, comentários feitos antes pelo Brasil mostram que a participação [no Pix] é aberta, que o acesso é não discriminatório e que a expansão geral do ecossistema de pagamentos digitais beneficia uma ampla gama de participantes, incluindo empresas conectadas aos Estados Unidos”, registra o texto, que ainda menciona grandes empresas americanas já com atuação dentro do arranjo brasileiro.

A tese contra a tarifa

Na frente comercial, o Brasil sustenta que a sobretaxa de 25% é inadequada porque junta questões de política distintas numa única resposta e sairia caro para os próprios norte-americanos. O governo argumenta ainda que a Seção 301 não daria ao USTR um cheque em branco para sobretaxar um país por condutas que Washington considera questionáveis, e pede que não adote medidas unilaterais ao fim da investigação. O texto também trata das alegações sobre a suposta postura brasileira contra big techs, respondendo que essas companhias, como qualquer empresa que opera num grande mercado estrangeiro, podem estar sujeitas a cumprir ordens legais e a enfrentar penalidades.

O que observar

O ponto central é o precedente: um sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Estado virou objeto de investigação comercial de outro país. Se a linha argumentativa que trata infraestrutura pública de pagamento como barreira a empresas estrangeiras prosperar, ela pode servir de modelo para pressionar outros arranjos instantâneos mundo afora, num momento em que dezenas de países estudam ou já operam sistemas parecidos. Vale acompanhar dois desdobramentos: se o órgão comercial americano avança mesmo assim com a sobretaxa, e como as bandeiras e adquirentes tradicionais, que perderam volume para o pagamento instantâneo, se posicionam num debate que mistura política comercial e concorrência no varejo de pagamentos.

Fontes: ValorInfoMoneyTimes BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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