O Itaú Unibanco quer usar sua futura licença de banco nacional nos Estados Unidos para ampliar a oferta a clientes latino-americanos de média e alta renda, não para competir pelo consumidor americano. A declaração é do CEO Milton Maluhy Filho, em entrevista ao Valor durante o Miami Open.
Bancos brasileiros nos EUA: estratégias distintas
| Banco |
Foco |
Status |
| Itaú |
Private e Personnalité latino-americanos |
Pedido de licença nacional (março/2026) |
| Nubank |
Varejo digital, cliente americano |
Aprovação condicional OCC (jan/2026) |
| Inter |
Conta digital, residentes |
Autorização Fed como FBO |
Fonte: Valor Econômico
Licença pode destravar crédito e conta nos EUA
O Itaú formalizou em 13 de março o pedido ao OCC para operar como banco nacional americano. Se aprovada, a licença permitirá que a operação em Miami, ativa desde 2007 e hoje concentrada em gestão de investimentos, passe a incluir conta corrente, crédito e financiamento para clientes do private (acima de R$ 10 milhões investidos) e do Personnalité (renda a partir de R$ 15 mil ou R$ 250 mil aplicados).
“O nosso foco não é atrair o cliente americano, mas atender bem os clientes latino-americanos de média e alta renda que precisam de um hub global”, disse Maluhy ao Valor. O CEO diferenciou a proposta dos neobanks: “Vejo bancos, principalmente os neobanks, como Nubank e Inter, entrando com uma plataforma de varejo mais digital para atender o cliente americano ou residente nos Estados Unidos. Não é a nossa proposta de valor hoje”.
Tênis como plataforma de relacionamento com a alta renda
A entrevista aconteceu durante o Miami Open, torneio que leva o nome do Itaú desde 2014. O banco convidou 4.794 clientes para as duas semanas de competição, volume 5% superior a 2025. Maluhy acompanhou partidas ao lado de Ronaldo Nazário e participou da entrega do troféu. O vínculo com o tênis completa quase 50 anos, com patrocínio a Carlos Alcaraz e Beatriz Haddad Maia.
Sobre a entrada da XP como patrocinadora de João Fonseca, Maluhy minimizou: “O tênis tem crescido bastante e precisa de recursos. Não vejo como problema outras instituições financeiras entrarem no território em que a gente está há 50 anos”. O banco encerrou 2025 com lucro recorrente de R$ 46,8 bilhões, alta de 13,1%, com receita superior a R$ 150 bilhões.
O que observar
A corrida de bancos brasileiros por Miami desenha três modelos distintos de internacionalização: varejo digital (voltado ao consumidor americano), plataforma de investimentos (voltada ao expatriado latino-americano) e hub consultivo de alta renda (voltado ao cliente existente com patrimônio fora do país). O pedido de licença de banco nacional pode ser o divisor: se aprovado, permite oferecer crédito e conta para um segmento que hoje depende de estruturas offshore ou bancos americanos locais. Vale acompanhar o prazo de aprovação do OCC e se a licença destravar produtos de crédito imobiliário na Flórida, onde brasileiros de alta renda concentram patrimônio.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Guia do Investidor