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BRBCrédito · Banco Master

Itaú e Bradesco confirmam à CVM compra de carteiras do BRB

CVM questionou os dois bancos após Esteves revelar a operação. Consórcio 50/50 compra carteiras de empréstimos do BRB a estados com aval da União.

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· 2 min

Atualizado em

Foto: Agência Brasília

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questionou Itaú e Bradesco sobre a compra de carteiras de empréstimos do Banco de Brasília (BRB) após André Esteves, presidente do conselho do BTG Pactual, revelar publicamente a operação. Os dois bancos confirmaram o negócio em consórcio 50/50, mas classificaram os valores como “imateriais”.

Respostas dos bancos à CVM

Item Detalhe
Compradores Itaú e Bradesco (consórcio 50/50)
Ativo Empréstimos a estados e municípios com aval da União
Valor estimado ~R$ 1 bi (segundo Esteves); bancos dizem ser menor
Posição do Itaú “Imaterial”, não qualifica como fato relevante
Posição do Bradesco “Não relevante” para carteira total

Respostas dos bancos ao questionamento da CVM. Fonte: Valor Econômico

O que Esteves revelou sobre as carteiras do BRB

A declaração que provocou o questionamento partiu de Esteves durante conferência da plataforma Na Prática, do BTG. “O Bradesco e o Itaú já negociaram com o BRB R$ 1 bilhão em carteiras de contratos de empréstimos concedidos pelos Estados e municípios com aval da União”, disse Esteves, conforme reproduzido pela CVM. O Valor já havia noticiado a negociação em meados de janeiro.

Na resposta ao regulador, o Itaú confirmou que uma subsidiária “celebrou instrumento por meio do qual se comprometeu a adquirir […] certos ativos do Banco de Brasília”, mas classificou a transação como imaterial. O Bradesco detalhou que o valor é “menor que o montante mencionado” por Esteves e que as operações “não são consideradas relevantes em relação ao total da carteira de crédito”, afirmou o banco em comunicado à CVM.

A pressão financeira sobre o BRB

A venda de carteiras acontece em meio à crise do BRB, que enfrenta provisionamento estimado em R$ 8,8 bilhões após incorporar ativos do Banco Master. O banco negocia a estruturação de um FIDC de R$ 15 bilhões para vender ativos herdados e busca empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC. O BRB já aplicou deságio de 15% sobre R$ 12,7 bilhões em ativos herdados.

O próprio Esteves indicou que o BTG avalia comprar outros ativos do BRB, mas descarta os originários do Master. “Já compramos ativos, estamos olhando outros ativos, mas não vamos olhar os do Master”, afirmou.

O que observar

A defesa de “imaterialidade” é juridicamente válida, mas o fato de a operação só ter vindo a público após declaração de um concorrente levanta questões sobre os critérios de divulgação em cessões de carteira entre bancos de grande porte. Vale acompanhar se a CVM passa a exigir parâmetros mais objetivos quando as transações envolvem instituições em dificuldade financeira.

O movimento também revela uma dinâmica de seleção: bancos privados de primeira linha adquirem os ativos saudáveis, como empréstimos com garantia federal, enquanto a instituição pública absorve o passivo tóxico. Se outros S1 seguirem o mesmo caminho, a perda de receita nos ativos de menor risco pode agravar a pressão sobre o balanço do banco público.

Fontes: Valor EconômicoCNN BrasilLet’s Money

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