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Itaú paga R$ 2,2 bi pela folha de servidores de Minas

Itaú vai pagar R$ 2,188 bilhões para administrar a folha de cerca de 670 mil servidores de Minas Gerais por cinco anos, valor abaixo do contrato de 2021.

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casa.da.photo / Shutterstock.com

O Itaú venceu a nova licitação da folha de pagamento de Minas Gerais e vai desembolsar R$ 2,188 bilhões para administrar os salários de cerca de 670 mil servidores estaduais pelos próximos cinco anos. O valor ficou abaixo do contrato anterior, de 2021, mesmo com uma base maior de servidores.

Folha de Minas Gerais: 2021 x 2026

Licitação Valor ofertado pelo Itaú Servidores Prazo
2021 R$ 2,4 bilhões 618 mil 5 anos
2026 R$ 2,188 bilhões ~670 mil 5 anos

Valores das licitações da folha vencidas pelo Itaú. Fontes: Money Times (2021) e Valor Econômico (2026)

Como funciona a alienação da folha de Minas Gerais

A operação é conhecida como alienação da folha de pagamento: o Estado cede a uma instituição financeira a gestão dos salários de servidores ativos, aposentados e pensionistas, além dos pagamentos a fornecedores pessoas jurídicas, em troca de uma receita antecipada e sem elevar tributos. Para o governo estadual, o dinheiro entra de uma vez no caixa.

“A alienação da folha de pagamento é considerada um ativo estratégico, cuja exploração permite ao Estado captar receita expressiva sem aumento de tributos, promovendo eficiência na gestão fiscal e maior sustentabilidade financeira”, afirmou Luciana Mundim, secretária de Estado de Fazenda de Minas Gerais, em comunicado do governo mineiro. Do lado do banco, o Itaú informou que o desembolso será registrado como ativo intangível, com reconhecimento no resultado diferido ao longo do contrato.

Por que os bancos disputam a folha do setor público

O Itaú já administra a folha mineira desde a licitação vencida em 2021, quando ofertou R$ 2,4 bilhões por 618 mil servidores. O contrato atual vai até o fim de 2026, e a nova disputa garante ao banco a continuidade da relação com essa base. Ganhar a folha significa levar centenas de milhares de correntistas de baixo churn, para quem o banco pode oferecer crédito consignado, cartões e seguros.

É a mesma lógica que aproxima os grandes bancos de programas ligados ao setor público. No Desenrola 2.0, Nubank, Itaú e Banco do Brasil concentraram parcela relevante das renegociações, um sinal de como o relacionamento com o cliente vinculado ao Estado virou ativo disputado.

O que observar

Chama atenção que o valor ofertado agora tenha vindo abaixo do de 2021, mesmo com uma base maior de servidores. Vale acompanhar se isso indica uma reprecificação desses contratos de folha, à medida que a folha de servidores deixa de ser apenas um canal de salários e passa a ser avaliada pelo potencial de venda cruzada de produtos financeiros.

A pergunta que fica é sobre o retorno: como o desembolso entra no balanço como ativo intangível diferido, o teste será se a receita gerada com crédito, cartões e serviços à base de servidores supera o custo pago de forma antecipada. Para os bancos de médio porte e as fintechs que miram o mesmo público, contratos bilionários de folha elevam a barreira de entrada em um segmento historicamente dominado por instituições de grande porte.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyInvestidor10Agência MinasMoney Times

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