O Itaú anunciou a ia.i, uma camada de inteligência artificial criada para levar serviços financeiros aos canais que o cliente já usa no dia a dia. Apresentada por Ricardo Guerra, diretor de Tecnologia do banco, no Web Summit Rio 2026, a proposta já permite consultar saldo e enviar Pix por conversa no WhatsApp, sem abrir o aplicativo do banco.
A transformação tecnológica do Itaú
| Indicador |
Situação |
| Plataforma em arquitetura moderna e nuvem |
cerca de 70% (meta: 100% até 2028) |
| Ponto de inflexão do novo modelo |
cerca de 60% em 2023 |
| Pesquisadores no instituto próprio |
aproximadamente 200 |
Estratégia tecnológica do Itaú apresentada no Web Summit Rio 2026. Fonte: TI Inside
Do “slow by design” à nuvem
Para chegar a esse estágio, Guerra relembrou a transformação estrutural da última década. O banco percebeu que a própria estrutura tecnológica limitava velocidade e capacidade de resposta. “Na época a gente se definia como slow by design”, afirmou. A virada veio por mudanças simultâneas em cultura, liderança, arquitetura e organização, com equipes multidisciplinares reunidas em torno das jornadas dos clientes.
Hoje, cerca de 70% da plataforma já opera em arquitetura moderna e em nuvem, com migração completa prevista para 2028. Segundo o executivo, alcançar perto de 60% desse modelo em 2023 foi o ponto de inflexão que permitiu reagir rápido ao avanço da IA. É o mesmo terreno que sustentou a aposta do banco em acelerar o desenvolvimento de software com agentes de IA.
O banco vai para o WhatsApp
A lógica da ia.i é deixar de exigir que o cliente vá ao ambiente bancário e passar a operar dentro dos canais que ele já usa. “Vamos para onde o cliente está”, resumiu Guerra. Entre os exemplos, clientes já fazem consulta de saldo e envio de Pix em conversa natural no WhatsApp. “Pode parecer simplório, mas traz velocidade e conveniência”, disse. O movimento ecoa lançamentos recentes, como a conta PJ aberta por WhatsApp com IA e o Pix por WhatsApp com comandos por IA de concorrentes.
Por trás disso está uma aposta em IA agêntica. Em vez de um sistema central único, o banco passa a operar como um ecossistema de agentes especializados. “A gente cria especialistas para resolver funções específicas e montar um ecossistema que conversa melhor com o cliente”, afirmou. Para sustentar a evolução, o Itaú combina modelos de mercado com tecnologia própria: comprou 15% da NeoSpace por US$ 15 milhões, startup brasileira de modelos fundacionais de IA generativa para o setor financeiro. “Com AI eu consigo entender exatamente aquilo que você precisa e recomendar de forma conversacional”, disse Guerra.
O que observar
Levar o banco para canais de mensagens muda o ponto de disputa: deixa de ser o aplicativo proprietário e passa a ser a qualidade do entendimento de contexto. Vale acompanhar se a IA agêntica entrega execução confiável de operações sensíveis, como transferências e Pix, fora do ambiente controlado do app, e como ficam segurança e responsabilização quando um agente executa uma ação financeira em nome do cliente.
Para instituições de menor porte e fintechs, o teste é competir em experiência conversacional sem a base de dados proprietária e a escala de modelos que os grandes acumulam. Se o diagnóstico do setor estiver certo, a diferenciação migra da interface para os dados e a velocidade de iteração, e não apenas para o uso de IA, hoje disseminado entre todos os participantes.
Fontes: TI Inside • CNN Brasil • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money