O Itaú Unibanco é o único banco em uma lista do INPI que reúne os cinco maiores depositantes privados de patente no país, um clube dominado por universidades e centros de ciência. E acaba de ganhar seu primeiro registro concedido: uma ferramenta que flagra viés em respostas de IA conversacional.
Empresas privadas com mais pedidos de patente no Brasil
| Empresa |
Pedidos de patente |
| Stellantis |
225 |
| Robert Bosch |
42 |
| Embraer |
34 |
| Braskem |
20 |
| Itaú |
20 |
Ranking de empresas privadas com mais pedidos de patente de invenção, dados do INPI. Fonte: Valor Econômico
Um instituto de pesquisa dentro do banco
O ranking, divulgado pelo INPI, é liderado pela Stellantis, com 225 pedidos, seguida por Robert Bosch (42), Embraer (34) e Braskem (20). O Itaú aparece na quinta posição entre as empresas privadas, também com 20 pedidos, e seu braço de pesquisa aplicada, o ICTi, que no início do ano abriu vagas para pesquisadores com bolsas de até R$ 11 mil, soma outros 20.
O ICTi nasceu em abril de 2025 com a missão de organizar como o grupo produz pesquisa e registra o que inventa. Em pouco mais de um ano, montou a estrutura que agora mira 50 novos pedidos de patente em 2026 e começou a levar a operação para fora do país. Os registros nascem de tecnologias que o banco embarca nos próprios produtos, boa parte delas apoiada em IA generativa.
A patente que fiscaliza a própria IA
O caso mais citado é o Enviesador, o primeiro registro que o ICTi levou até a concessão. A tecnologia foi desenhada para apontar quando um assistente virtual responde de forma enviesada, um passo em direção a modelos de IA mais auditáveis. É o tipo de ativo que junta pesquisa de ponta com a agenda de IA responsável que o banco vinha construindo antes de escalar seus produtos.
“Aqui trabalhamos para transformar conhecimento científico em soluções concretas, que impactam diretamente a experiência das pessoas e contribuem para o avanço do setor financeiro”, diz, em nota, Carlos Eduardo Mazzei, que dirige a área no banco. No podcast Let’s Money, em outubro de 2025, Mazzei já descrevia a IA responsável como um investimento deliberado do banco, feito antes de colocar qualquer solução de inteligência artificial em escala.
A aposta em propriedade intelectual acompanha a corrida por eficiência com IA dentro dos grandes bancos. O próprio Itaú já reduziu a otimização de portfólios de horas para 2 segundos com modelos proprietários, e concorrentes globais avançam na mesma direção: o Bank of America acumula 1.600 patentes de IA e destina bilhões de dólares por ano a tecnologia.
O que observar
Patente não é produto, e o valor de um portfólio de propriedade intelectual só aparece quando ele vira serviço no mercado ou barreira contra concorrentes. Para instituições financeiras de grande porte, transformar pesquisa aplicada em vantagem competitiva depende de levar essas invenções do laboratório para os canais de atendimento em escala. Vale acompanhar se registros ligados a IA responsável, como ferramentas de detecção de viés, viram exigência de auditoria e governança, num momento em que reguladores começam a olhar para a explicabilidade de modelos usados em crédito e atendimento.
Fontes: Valor Econômico • INPI • Let’s Money • Let’s Money Podcast: Carlos Mazzei (Itaú)