O Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi) inicia expansão internacional com destinos na China e em Cingapura, negociações com cerca de dez universidades fora do Brasil e meta de 40 a 50 patentes depositadas até o fim de 2026. O instituto acumula 21 patentes em seu primeiro ano de operação e já converteu duas pesquisas em produtos disponíveis a clientes do banco.
ICTi: números do instituto em 2025
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Investimento do banco (2025) | ~R$ 100 milhões |
| Pesquisas em curso | ~70 projetos |
| Time | ~90 profissionais + 195 pesquisadores em parceiros |
| Patentes depositadas | 21 (meta: 40 a 50 até fim de 2026) |
| Universidades brasileiras | 11 (incluindo Poli/USP e UFG) |
| Universidades internacionais | ~10 em negociação (EUA, Europa, China) |
Dados do ICTi segundo entrevista com Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú. Fonte: NeoFeed
Da patente ao produto
A primeira patente concedida ao ICTi, em abril de 2025, foi o Enviesador: uma ferramenta que identifica vieses implícitos e cria guardrails em sistemas de recomendação e modelos de IA generativa. O produto surgiu após o banco identificar distorções nos modelos treinados com dados públicos. “Começamos a ver que os modelos, que são treinados com dados públicos, tinham diversos vieses não alinhados à nossa visão. De raça, de gênero, de região. Hoje, a nossa IA generativa está em diferentes áreas, tocando milhões de clientes. E essa solução já está embarcada em todas elas”, afirmou Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú. Até então, o banco acumulava duas patentes concedidas em 102 anos de operação.
O segundo produto derivado do instituto é a Inteligência de Investimentos Itaú, agente de assessoria lançado em meados de 2025 e baseado em algoritmos de inspiração quântica. O modelo resolve em tempo real o problema de combinar um portfólio de milhares de ativos com os perfis de milhões de clientes. Antes, o banco criava carteiras recomendadas por cluster; agora, cada cliente recebe uma carteira personalizada. “Hoje, nós conseguimos fazer esse processo em um segundo e meio, dois segundos por cliente. O que antes levávamos horas para fazer para um cluster”, disse Mazzei. O banco mantém mais de 1,3 mil modelos de IA em operação, com crescimento de 84% em iniciativas de IA generativa entre 2024 e 2025.
O ICTi concentra cerca de 90% de suas pesquisas em IA e computação quântica, com os 10% restantes distribuídos em robótica, neurociência e realidade estendida. “O ICTi foi o instrumento perfeito no ecossistema do Itaú. O banco já tinha o Cubo, que se conectava com as startups e empresas. Faltava essa via de troca também com a academia”, afirmou Mazzei.
A próxima frente é a China. Mazzei visitará quatro cidades em duas semanas no início de junho com foco em universidades locais. “A China tem uma dinâmica bem diferente dos EUA, 99% open source, com empresas que efetivamente abrem seus modelos ao público, como Alibaba, DeepSeek e Huawei”, disse. O diretor justifica a aposta pelo peso dos pesquisadores chineses no campo global: “Hoje, no mundo, mais de 50% dos pesquisadores de inteligência artificial (IA) nos laboratórios de ponta são chineses.”








