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IAIA · Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú

Itaú expande ICTi para China e mira 50 patentes em 2026

ICTi do Itaú expande para China, acumula 21 patentes e usa IA e algoritmos quânticos em produtos de assessoria de investimentos para clientes.

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· 3 min

Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi) inicia expansão internacional com destinos na China e em Cingapura, negociações com cerca de dez universidades fora do Brasil e meta de 40 a 50 patentes depositadas até o fim de 2026. O instituto acumula 21 patentes em seu primeiro ano de operação e já converteu duas pesquisas em produtos disponíveis a clientes do banco.

ICTi: números do instituto em 2025

Indicador Dado
Investimento do banco (2025) ~R$ 100 milhões
Pesquisas em curso ~70 projetos
Time ~90 profissionais + 195 pesquisadores em parceiros
Patentes depositadas 21 (meta: 40 a 50 até fim de 2026)
Universidades brasileiras 11 (incluindo Poli/USP e UFG)
Universidades internacionais ~10 em negociação (EUA, Europa, China)

Dados do ICTi segundo entrevista com Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú. Fonte: NeoFeed

Da patente ao produto

A primeira patente concedida ao ICTi, em abril de 2025, foi o Enviesador: uma ferramenta que identifica vieses implícitos e cria guardrails em sistemas de recomendação e modelos de IA generativa. O produto surgiu após o banco identificar distorções nos modelos treinados com dados públicos. “Começamos a ver que os modelos, que são treinados com dados públicos, tinham diversos vieses não alinhados à nossa visão. De raça, de gênero, de região. Hoje, a nossa IA generativa está em diferentes áreas, tocando milhões de clientes. E essa solução já está embarcada em todas elas”, afirmou Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú. Até então, o banco acumulava duas patentes concedidas em 102 anos de operação.

O segundo produto derivado do instituto é a Inteligência de Investimentos Itaú, agente de assessoria lançado em meados de 2025 e baseado em algoritmos de inspiração quântica. O modelo resolve em tempo real o problema de combinar um portfólio de milhares de ativos com os perfis de milhões de clientes. Antes, o banco criava carteiras recomendadas por cluster; agora, cada cliente recebe uma carteira personalizada. “Hoje, nós conseguimos fazer esse processo em um segundo e meio, dois segundos por cliente. O que antes levávamos horas para fazer para um cluster”, disse Mazzei. O banco mantém mais de 1,3 mil modelos de IA em operação, com crescimento de 84% em iniciativas de IA generativa entre 2024 e 2025.

O ICTi concentra cerca de 90% de suas pesquisas em IA e computação quântica, com os 10% restantes distribuídos em robótica, neurociência e realidade estendida. “O ICTi foi o instrumento perfeito no ecossistema do Itaú. O banco já tinha o Cubo, que se conectava com as startups e empresas. Faltava essa via de troca também com a academia”, afirmou Mazzei.

A próxima frente é a China. Mazzei visitará quatro cidades em duas semanas no início de junho com foco em universidades locais. “A China tem uma dinâmica bem diferente dos EUA, 99% open source, com empresas que efetivamente abrem seus modelos ao público, como Alibaba, DeepSeek e Huawei”, disse. O diretor justifica a aposta pelo peso dos pesquisadores chineses no campo global: “Hoje, no mundo, mais de 50% dos pesquisadores de inteligência artificial (IA) nos laboratórios de ponta são chineses.”

O que observar

Institutos de pesquisa corporativos que depositam patentes com titularidade própria criam um ativo diferente do P&D bancário tradicional: propriedade intelectual que pode ser licenciada ou bloqueada para concorrentes, não apenas usada internamente. O ritmo de 21 patentes em um ano, se mantido, posiciona esse tipo de estrutura como variável competitiva real no setor, não apenas iniciativa de imagem.

O eixo China merece atenção separada. Parcerias com universidades em um mercado com regime de propriedade intelectual distinto e onde os grandes laboratórios operam em lógica predominantemente open source oferecem acesso a pesquisa que o ecossistema americano, mais fechado e licenciado, não entrega da mesma forma. O ponto de acompanhamento é se os acordos resultarão em copropriedade de patentes ou apenas transferência de conhecimento: a distinção muda significativamente o valor estratégico das parcerias para qualquer banco nessa posição.

Fontes: NeoFeedLet’s MoneyLet’s Money

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