O Itaú Unibanco registrou lucro recorrente de R$ 12,407 bilhões no segundo trimestre de 2026, novo recorde para o banco, com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 24,3%. O número veio praticamente em linha com o consenso de mercado, mas o banco reduziu a projeção de crescimento da receita de serviços e ancorou o trimestre no lançamento de uma inteligência artificial própria.
Itaú Unibanco no 2º trimestre de 2026
| Indicador |
2T26 |
| Lucro recorrente gerencial |
R$ 12,407 bi (+7,8% em 12 meses) |
| ROE (retorno sobre patrimônio) |
24,3% |
| Carteira de crédito expandida |
R$ 1,522 tri (+9,6% em 12 meses) |
| Inadimplência (carteira expandida) |
1,9% (estável) |
| Provisões para devedores duvidosos |
R$ 10,139 bi |
Resultados do 2º trimestre de 2026 do Itaú Unibanco. Fonte: Valor Econômico
Carteira cresce com inadimplência estável
A carteira de crédito expandida chegou a R$ 1,522 trilhão, alta de 2,7% no trimestre e de 9,6% em um ano. A margem financeira gerencial somou R$ 33,488 bilhões, enquanto a margem com clientes, ligada às operações de crédito, avançou 3,3% na comparação trimestral, para R$ 32,557 bilhões. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,9%, patamar mantido pelo sexto trimestre consecutivo, segundo o banco.
No crédito a pessoas físicas, o destaque foi o consignado privado, que cresceu 14,3% no trimestre, na contramão de um setor que recuou após o novo teto de juros. O crédito imobiliário subiu 3,9% e o consignado como um todo, 3,5%. “Uma carteira de crédito verdadeiramente saudável não se constrói na renegociação, mas na qualidade da concessão, na precificação correta do risco, na capacidade de recuperação de crédito e no acompanhamento dinâmico das necessidades reais dos nossos clientes ao longo de todo o ciclo”, afirmou Gabriel Amado de Moura, CFO do Itaú Unibanco.
A aposta em IA e o corte na projeção de serviços
Ao apresentar o resultado, o Itaú revisou para baixo o guidance de receita de prestação de serviços e resultado de seguros em 2026. A projeção, que segundo o Valor era de crescimento entre 5% e 9%, passou para uma faixa de 2% a 5%. O banco atribuiu o ajuste à maior volatilidade no mercado de capitais do que a prevista no início do ano. As receitas com serviços e seguros avançaram apenas 0,4% no trimestre, pressionadas por um ajuste comercial no pacote de tarifas.
No mesmo trimestre, o destaque estratégico foi o lançamento da ia.i, a experiência conversacional de inteligência artificial integrada ao SuperApp que executa transações e até Pix por comando de voz. A iniciativa faz parte da estratégia “AI First”, que o banco planeja levar a toda a base de clientes até o fim de 2026. “Crescer com rentabilidade e qualidade de carteira exige disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia”, disse Milton Maluhy Filho, CEO do banco. O índice de eficiência no Brasil ficou em 35,5% e o capital principal (CET1), em 12,3%.
O que observar
O corte na projeção de receita de serviços chama atenção justamente onde os grandes bancos costumam diversificar o resultado para além do crédito. Vale acompanhar se a revisão reflete um efeito pontual do mercado de capitais ou uma pressão mais estrutural sobre tarifas e comissões, que afeta diretamente instituições financeiras de grande porte que dependem de receita transacional. A queda das receitas com pagamentos e recebimentos, ligada ao reajuste de pacotes de tarifas, é o indicador a observar nos próximos trimestres.
Em paralelo, a corrida por assistentes de IA proprietários coloca uma pergunta operacional: essas ferramentas vão se converter em ganho mensurável de eficiência, com queda no índice de custos, ou funcionam por ora como camada de experiência e retenção? Com a inadimplência ancorada nos melhores níveis históricos e o ROE acima de 24%, o teste para os incumbentes passa a ser transformar investimento em tecnologia em alavanca de margem, e não apenas em vitrine.
Fontes: Valor Econômico • Itaú Relações com Investidores • InfoMoney • Let’s Money • Let’s Money