O Itaú liberou para todos os clientes da maquininha Laranjinha+ a cobrança por comando de voz, recurso movido a IA generativa que saiu do piloto nesta semana. Na prática, o lojista fala o valor e a forma de pagamento, e o aparelho conduz o resto, sem navegar por menus.
A escalada da nova Laranjinha+ em 2026
Etapa
Número
Maquininhas no campo hoje
150 mil
Ritmo de distribuição
35 a 45 mil por mês
Meta até o fim de 2026
500 mil unidades
Distribuição da nova Laranjinha+ ao longo de 2026. Fonte: Acessa.com
Como a cobrança por voz funciona
Quem já tem o aparelho precisa atualizar o software da maquininha. Depois, basta informar o valor e a forma de pagamento, e a maquininha interpreta o comando e mostra o pedido na tela. O assistente aceita Pix, cartões de crédito e débito e voucher de alimentação ou refeição, além de esclarecer dúvidas e solicitar informações ao operador.
“É parte desse movimento de transformação de uma maquininha simples de pagamentos para uma plataforma completa”, disse Angelo Russomanno, diretor de Recebimentos e Adquirência do Itaú Empresas, ao Acessa.com.
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A corrida por 1 milhão de aparelhos
A função de voz chega enquanto o banco acelera a troca da frota. São 150 mil unidades da nova Laranjinha+ já no campo, com distribuição de 35 a 45 mil novas por mês e meta de 500 mil até o fim de 2026. O banco espera alcançar 1 milhão de unidades do novo modelo até 2027.
O movimento se apoia em um negócio de adquirência em expansão. No primeiro trimestre de 2026, o volume transacionado da operação somou R$ 283,3 bilhões, alta de 26% sobre o mesmo período do ano anterior, ritmo acima dos 8,3% do mercado. A disputa por terminais inteligentes ganha outros players: o Santander, por exemplo, trouxe a maquininha Getnet para dentro do app PJ. “Esse ainda é o começo, tem muito mais para evoluir nesse processo de ajudar o cliente a gerir o negócio”, afirmou Adriano Tchen, diretor de Tecnologia do Itaú, ao Acessa.com.
O que observar
O comando de voz desloca a interface da maquininha do toque para a fala, e o teste decisivo será a adoção no balcão. Vale acompanhar se donos de pequenos negócios, acostumados a digitar valores, trocam o gesto pela voz em ambientes barulhentos, como feiras, padarias e lojas de rua, onde o reconhecimento pode falhar e gerar correções manuais.
A pergunta que fica é se a camada de IA generativa vira diferencial competitivo entre adquirentes ou apenas mais um recurso esperado pelo lojista. Se a função reduzir de fato o tempo por transação, a pressão tende a recair sobre bancos e fintechs de adquirência que ainda operam terminais sem assistente, num mercado em que ganhar fatia depende cada vez mais de software, não só de taxa.