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Itaú testa pagamento 24/7 no exterior na rede da Swift

O Itaú é o único banco do Brasil entre os 17 que vão pilotar a rede blockchain da Swift, com depósitos tokenizados para pagar no exterior 24/7.

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· 3 min

Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Itaú Unibanco é o único banco brasileiro no grupo de 17 instituições que vão pilotar transações ao vivo na nova rede blockchain da Swift. A infraestrutura usa depósitos tokenizados para mover dinheiro de clientes no exterior 24 horas por dia, inclusive na madrugada e nos fins de semana, antes de completar a liquidação final nos sistemas atuais.

O que muda com o ledger compartilhado da Swift

Elemento Como funciona
Disponibilidade Movimenta fundos 24/7, inclusive madrugadas e fins de semana
Ativo movimentado Depósito tokenizado emitido no ledger de cada banco
Papel da rede Camada de orquestração que registra e valida os compromissos de pagamento
Liquidação final Segue nos sistemas de liquidação existentes
Construção Do conceito à ativação em nove meses

Como funciona a rede blockchain da Swift para pagamentos com depósitos tokenizados. Fonte: Finextra

Como o ledger da Swift movimenta o dinheiro

A rede oferece aos bancos uma camada segura de orquestração para depósitos tokenizados emitidos nos próprios livros-razão de cada instituição. Na prática, o banco pode adiantar recursos para o cliente no exterior a qualquer hora, inclusive quando os sistemas tradicionais estão fechados, e só depois concluir a liquidação pelos canais existentes. Os bancos esperam melhorar a experiência do cliente e a eficiência de liquidez global sem abrir mão dos padrões de compliance, crédito, risco e controle já embarcados no processamento atual.

“Nossa nova capacidade de ledger permite que o valor tokenizado se mova entre fronteiras com a velocidade e a flexibilidade que o comércio moderno espera”, disse Thierry Chilosi, chief business officer da Swift (em tradução livre). Segundo ele, o suporte dos bancos cria uma base para inovações futuras em áreas como dinheiro programável e comércio agêntico. A rede saiu do conceito para a ativação em nove meses, e as primeiras transações ao vivo ainda vão acontecer, na fase inicial controlada de operação. O movimento acontece semanas depois de a Swift levar quatro grandes bancos do Reino Unido a pagamentos globais instantâneos.

O Brasil no mapa dos pagamentos tokenizados

Entre os 17 bancos de seis continentes, o Itaú Unibanco é o único do Brasil, ao lado de nomes como Citi, HSBC, UBS, BNP Paribas, MUFG, DBS, Wells Fargo e Standard Chartered. A presença coloca um dos maiores bancos do país na primeira leva de testes de uma infraestrutura de pagamento internacional que promete operar sem os intervalos do câmbio tradicional. O Itaú vinha ampliando a aposta em liquidez e tesouraria transfronteiriça: em março de 2026, o Itaú BBA lançou o Connect Cash para unificar a tesouraria de clientes na América Latina.

Em entrevista ao podcast Let’s Money em agosto de 2025, Alexandre Goes, diretor-geral da Ren Payments by Euronet, resumiu a lógica de conectar bancos a novos trilhos globais: “É um caminho sem volta.” Na conversa, ele descreveu o modelo de hub que liga uma instituição a sistemas como FedNow, Swift e Fedwire em uma única integração, e ponderou que a adesão fora do Brasil tende a ser mais lenta, ainda que inevitável. Lisa Vasic, managing director de transaction banking do ANZ, também vê “forte potencial para ajudar clientes a mover fundos em tempo real e gerir liquidez com mais flexibilidade” (em tradução livre).

O que observar

O ponto a acompanhar é se o depósito tokenizado, moeda emitida pelo próprio banco, ganha tração como alternativa às stablecoins na liquidação internacional. Bancos globais de grande porte passam a ter uma camada para mover liquidez fora do horário bancário sem abrir mão dos controles de crédito e compliance que já existem. O teste prático será a interoperabilidade: se cada instituição emite o próprio ativo no seu livro-razão, a promessa de pagamento 24/7 depende de a orquestração funcionar entre sistemas distintos. Vale observar também como esse arranjo conversa com iniciativas de moeda digital de banco central, como o Drex, e o que sobra para o modelo de banco correspondente, hoje a espinha dorsal do câmbio entre instituições.

Fontes: FinextraSwiftCoinDeskLet’s Money Podcast: Alexandre Goes, Ren Payments

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