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Itaú: botão de virar fatura é inédito no sistema bancário

Bradesco, BB e Santander não têm equivalente ao Vira Fatura; CEO do Itaú diz que produto nasceu da ansiedade com fechamento de fatura.

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· 3 min

Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Vira Fatura, ferramenta do Itaú que permite antecipar o fechamento da fatura do cartão por R$ 9,90 ou gratuitamente, não tem equivalente nos principais bancos do país: Bradesco, Banco do Brasil e Santander confirmaram ao Seu Dinheiro não oferecer funcionalidade com o mesmo funcionamento. “O Vira Fatura nasceu da observação de uma experiência comum: quando a fatura está além do esperado e os dias até o fechamento parecem não ter fim”, afirmou Felipe Piccoli, diretor de Cartões e Contas do Itaú Unibanco.

Vira Fatura vs. concorrentes

Banco Antecipa pagamento Muda ciclo de compras Custo
Itaú (Vira Fatura) Sim Sim R$ 9,90 ou grátis*
Bradesco Sim Não Gratuito
Banco do Brasil Sim Não Gratuito
Santander Não informado Não N/D

*Grátis se a fatura for paga imediatamente. Fonte: Seu Dinheiro

O produto e o problema que o gerou

Segundo Piccoli, muitos clientes usam o cartão como ferramenta de organização financeira ao longo do mês e, por isso, o Vira Fatura foi criado para oferecer “mais autonomia para aproveitar oportunidades, como uma promoção ou uma compra planejada, sem precisar esperar pela data oficial do corte”. O lançamento ocorre num momento em que pesquisa do Itaú com a Consumoteca aponta que 81% dos brasileiros dizem que dinheiro é uma preocupação recorrente e 74% relatam ansiedade ao lidar com a vida financeira. Em nota, o banco afirmou que a ferramenta “não altera IOF ou encargos, não gera juros por si só e não é uma operação de crédito”.

“É uma funcionalidade que permite ao cliente decidir melhor quando encerrar uma fatura e começar a próxima, trazendo mais previsibilidade para o mês”, disse o banco. A distribuição ocorre pelo superapp do Itaú, para o qual 15 milhões de clientes foram migrados em janeiro. A funcionalidade aparece no app nos oito dias que antecedem o fechamento regular e, ao ser acionada, a fatura em curso é encerrada no ato, com novas compras migrando para o período seguinte. O vencimento original não muda.

O que os concorrentes oferecem

A diferença central está na alteração do ciclo de compras. Bradesco e Banco do Brasil permitem antecipar o pagamento da fatura pelo aplicativo, mas sem que as compras já realizadas naquele intervalo saiam da fatura corrente. Em nota, o Bradesco afirmou que sua funcionalidade “permite a quitação total ou parcial da fatura antes do vencimento, por meio de débito em conta, boleto ou Pix”, com restauração imediata do limite no caso de pagamento via Pix. O Banco do Brasil destacou que a antecipação pode gerar benefícios de pontos e cashback antecipados nos programas de recompensas.

O Santander afirmou não possuir ferramenta equivalente. O resultado prático é que, para esses bancos, o cliente que paga antes do vencimento quita a fatura, mas continua acumulando compras no mesmo ciclo até a data de corte original. O Itaú é o único que fecha esse ciclo antes da hora, impedindo que novas despesas entrem na fatura que acabou de ser paga. Esse mecanismo se diferencia também das alternativas de crédito flexível como o Pix parcelado que o Bradesco lançou fora do limite do cartão, que operam pela lógica de adicionar crédito, não de reorganizar o ciclo de débito.

O que observar

A diferença entre antecipar o pagamento e antecipar o fechamento do ciclo de compras parece técnica, mas tem implicações práticas relevantes: só o segundo cria uma separação real entre dois meses de consumo, sem depender de disciplina do cliente para não usar o cartão no intervalo. O risco comportamental está na outra direção: usar o mecanismo como forma de adiar despesas em vez de reorganizá-las pode aumentar o saldo acumulado sem que o cliente perceba.

A precificação em R$ 9,90 por uso efetivo sinaliza que o banco projeta uma parcela de clientes que vai acionar a ferramenta sem quitar imediatamente, o que gera receita mas também pode elevar o risco de inadimplência nesse grupo. Vale acompanhar se a adoção pelos concorrentes transforma o recurso em padrão do setor e pressiona o modelo pago para gratuito, como aconteceu com outras funcionalidades de gestão financeira em apps bancários.

Fontes: Seu DinheiroLet’s MoneyLet’s Money

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