O JPMorgan encerrou a relação bancária com a Polymarket em outubro de 2025 e pediu que a plataforma de mercados de previsão procurasse outro banco, revelou o Financial Times. O motivo foram preocupações regulatórias. Mesmo assim, o banco manteve alguns laços com a empresa de olho em um possível papel no futuro IPO.
Polymarket e os reguladores dos EUA, de 2022 a 2026
| Marco |
O que aconteceu |
| 2022 |
CFTC firma acordo de US$ 1,4 mi e barra usuários dos EUA |
| Fim de 2025 |
Polymarket volta ao mercado americano após afrouxamento regulatório |
| Out/2025 |
JPMorgan pede que a plataforma troque de banco |
| Fev/2026 |
JPMorgan convida o presidente da Polymarket para conferência de clientes |
Relação Polymarket e reguladores dos EUA, de 2022 a 2026. Fonte: CoinDesk
Por que o banco recuou
A saída do JPMorgan tem raiz no histórico regulatório da Polymarket. Em 2022, a plataforma fechou um acordo de US$ 1,4 milhão com a CFTC, o regulador de derivativos dos Estados Unidos, por operar um mercado não registrado, e ficou barrada de atender usuários americanos. A empresa segue sob investigação da CFTC, mas voltou ao país no fim de 2025.
Cortar clientes em zona cinzenta não é inédito para o banco. O JPMorgan já havia restringido relações com outras empresas de cripto, como Gemini e Strike, em episódios que reacenderam o debate sobre o debanking do setor. No caso da Polymarket, o recado, segundo o Financial Times, veio ainda em outubro de 2025, quando o banco pediu que a plataforma buscasse um novo parceiro financeiro. A empresa já teria fechado com outra instituição, cujo nome não foi divulgado.
O interesse que sobrou: o IPO
Encerrar a conta não significou romper de vez. O JPMorgan preservou parte do relacionamento de olho em um eventual papel de coordenador em uma futura abertura de capital da Polymarket. Em fevereiro de 2026, o banco convidou o presidente Shayne Coplan para uma conferência privada de clientes. Nem a oferta pública nem uma nova rodada foram confirmadas pela empresa.
A disputa sobre o setor segue aberta nos EUA. Depois que o estado de Nova York processou a rival Kalshi em mais de US$ 36 bilhões por operar o que chamou de “apostas ilegais”, a CFTC ordenou que a plataforma continuasse funcionando. “O Congresso não pretendia que bolsas de derivativos fossem reguladas por uma colcha de retalhos de leis estaduais de jogo”, afirmou Michael Selig, presidente da CFTC, em tradução livre. O Let’s Money mostrou como o banco também pressiona por regras próprias para cripto nos Estados Unidos.
No Brasil, o caminho é mais estreito. Em abril de 2026, a Anatel bloqueou o acesso à Polymarket e a outras dezenas de sites de previsão, após nota técnica da Fazenda e resolução do Conselho Monetário Nacional que enquadrou esses mercados como bets. A plataforma também já acumulava, no exterior, operações sob suspeita de insider trading.
O que observar
O episódio mostra como o acesso bancário virou o verdadeiro filtro para plataformas em zona cinzenta regulatória. Uma empresa pode ter aval de um regulador federal para operar e, ainda assim, perder a porta de entrada no sistema financeiro se o banco decidir que o risco de compliance não compensa. Vale acompanhar se outros bancos de atacado vão adotar o mesmo cálculo com plataformas de mercados de previsão.
A pergunta prática, para quem opera nessa fronteira, é quanto tempo se leva para reconstruir uma relação bancária depois que ela é cortada, e a que custo. Se autorização regulatória e disposição dos bancos em atender esse público continuarem descoladas, o gargalo de crescimento do setor deixa de ser a licença e passa a ser a conta.
Fontes: Finextra • CoinDesk • Crypto Briefing • CoinDesk Policy • Let’s Money