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JPMorgan leva parte da IA para dentro do banco

JPMorgan escolheu a SambaNova, rival da Nvidia, para rodar parte da IA on-premise, uma entre varias formas do banco operar frontier models sob controle.

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· 3 min

Atualizado em

Robson90 / Shutterstock.com

O JPMorgan Chase quer rodar parte da sua inteligência artificial dentro de casa. Para uma das formas de operar seus modelos, o banco escolheu a SambaNova, startup de chips que desafia a Nvidia, e vai usar servidores próprios na inferência dos dados mais sensíveis, com controle total. É uma entre várias modalidades que o banco combina para rodar frontier models sob os próprios controles, num ambiente altamente regulado. O acordo saiu junto de uma captação de US$ 1 bilhão que avaliou a startup em US$ 11 bilhões.

A rodada que levou a SambaNova a US$ 11 bi

Item Dado
Captação (Série F, 1º fechamento) US$ 1 bilhão
Valuation pós-money US$ 11 bilhões
Investidor líder General Atlantic
Cliente âncora JPMorganChase (inferência on-premise)
Sistemas implantados SN40 e SN50

Primeiro fechamento da Série F, anunciado em 8 de julho de 2026. Fonte: General Atlantic

Por que o banco quer rodar IA dentro de casa

Manter a inferência (a etapa em que o modelo de IA gera respostas a partir do que já aprendeu) em servidores próprios significa não enviar dados sensíveis para a infraestrutura de terceiros. Segundo o banco, a implantação dos sistemas SN40 e SN50 garante uma trilha auditável e controle sobre cada operação, mantendo a IA de produção “atrás das próprias paredes”.

“No JPMorganChase, a infraestrutura de IA precisa atingir um padrão muito alto de desempenho, controle e confiabilidade”, afirmou Darrin Alves, CIO de plataformas de infraestrutura do banco (em tradução livre). O movimento tem histórico: o mesmo banco cortou o acesso ao assistente Claude em Hong Kong por questões contratuais, sinal de que trata governança de IA como assunto de risco. Em outubro de 2025, o CEO Jamie Dimon revelou que o JPMorgan gasta cerca de US$ 2 bilhões por ano em IA, um décimo de todo o orçamento de tecnologia, e continua rodando modelos da Anthropic e da OpenAI. É sinal de que a operação on-premise convive com outras formas de acesso a frontier models, não as substitui.

A aposta contra a Nvidia

A SambaNova é uma das startups que tentam furar o domínio da Nvidia no hardware de IA. A captação de US$ 1 bilhão, primeiro fechamento de uma Série F liderada pela General Atlantic, avaliou a empresa em US$ 11 bilhões, cerca de cinco meses depois de uma Série E de US$ 350 milhões em fevereiro de 2026. O salto acontece enquanto a Nvidia projeta US$ 1 trilhão em chips de IA até 2027 e a demanda por inferência cresce mais rápido que a oferta.

O chip SN50, voltado para inferência de agentes de IA, começa a ser entregue a clientes no segundo semestre de 2026. “A plataforma da SambaNova é diferenciada, construída para um mercado em que a inferência se tornou fundamental para a transformação de empresas e indústrias”, disse Martín Escobari, co-presidente e head de global growth equity da General Atlantic (em tradução livre).

O que observar

A escolha de rodar inferência on-premise recoloca uma pergunta que a nuvem parecia ter encerrado: onde a IA de um banco deve viver. Para instituições financeiras que operam sob regras estritas de proteção de dados, manter os modelos dentro de casa reduz exposição regulatória, mas transfere para a própria instituição o custo de comprar, manter e atualizar hardware caro. Vale acompanhar se o apetite por controle e auditabilidade vai puxar mais bancos de grande porte para arranjos híbridos, com parte da IA fora da nuvem, e se fornecedores de chips alternativos conseguem sustentar entrega e suporte na escala que esse público exige. O teste real será o custo por inferência frente à conveniência da nuvem.

Fontes: FinextraGeneral AtlanticTechCrunch

Correção (10 de julho de 2026, às 16h): título e texto foram atualizados para refletir que a operação on-premise é uma entre várias modalidades usadas pelo JPMorgan para rodar frontier models, e não uma saída total da nuvem.

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