A Klarna reformulou sua assinatura paga e passou a deixar o cliente trocar de nível quando quiser, sem a trava de um ano típica dos cartões de crédito. Junto, a fintech sueca zerou a taxa de serviço da membership e elevou o cashback, com benefícios que somam até € 6 mil por ano.
A assinatura Klarna em 4 níveis
| Plano |
Preço/mês |
Cashback |
| Everywhere |
€ 4,99 |
Sem cashback de membership |
| Plus |
€ 9,99 |
0,5% (2x em parceiros) |
| Premium |
€ 19,99 |
1% (3x em parceiros) |
| Max |
€ 44,99 |
1,5% (4x em parceiros) |
Estrutura da nova assinatura Klarna, agosto de 2026. Fonte: Investing News
Do BNPL para o banco de assinatura
A empresa nasceu como serviço de compre-agora-pague-depois (BNPL) e migrou para um pacote de serviços bancários. Em julho, pediu licença para operar como banco próprio nos EUA e entrou no JP Morgan Payments. A assinatura agora é o produto que amarra cashback, benefícios e o cartão numa camada só.
O desenho ataca a fidelidade anual do cartão: o cliente pode subir ou descer de nível a cada mês, conforme o uso, em vez de ficar preso a uma anuidade. “Isto é a democratização dos benefícios bancários. Você não deveria ter que se comprometer por um ano e contratar um cartão de crédito para ganhar cashback e benefícios premium”, disse Sebastian Siemiatkowski, CEO e cofundador da Klarna, em comunicado (em tradução livre).
O que entra na membership
No topo, a assinatura reúne cerca de 23 serviços digitais, com as novas adições NordVPN, Livi, foodora e Voi, além de ClassPass, The New York Times e Condé Nast. O pacote inclui ainda upgrades de hotel, acesso a salas VIP de aeroporto e, no Reino Unido, planos de celular com dados ilimitados. A nova estrutura começa a ser liberada nas próximas semanas em 11 países europeus, entre eles Alemanha, França, Espanha, Reino Unido e os nórdicos.
O movimento chega enquanto o BNPL que projetou a Klarna passa por escrutínio maior. No Reino Unido, o regulador passou a exigir análise de crédito nas operações de parcelamento, e a fintech vem diversificando funding, como na recente securitização de US$ 518 milhões em crédito ao consumo.
O que observar
A aposta é migrar receita de juros e taxas para assinatura recorrente com cashback, um modelo que bancos digitais e emissores de cartão vêm testando por níveis (do gratuito ao premium). A pergunta operacional é de unidade econômica: cashback de até 1,5% mais benefícios contratados de terceiros só se sustentam se o gasto médio por assinante e a receita de intercâmbio cobrirem o custo dos perks. Vale acompanhar se a promessa de flexibilidade mensal, sem trava anual, aumenta a base sem corroer a margem, e se plataformas de nicho que hoje vendem cada assinatura avulsa perdem poder de precificação ao virarem item de bundle bancário.
Fontes: Finextra • Investing News • Let’s Money • Let’s Money