A Klarna reverteu um prejuízo de US$ 99 milhões e registrou lucro líquido de US$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2026, primeira vez no positivo desde o IPO na NYSE em setembro de 2025. A receita atingiu US$ 1 bilhão pela primeira vez (+44%), com GMV de US$ 33,7 bilhões (+33%).
Klarna: desempenho Q1 2026
| Métrica |
Q1 2026 |
Variação |
| Receita |
US$ 1,0 bilhão |
+44% |
| GMV |
US$ 33,7 bilhões |
+33% |
| Lucro oper. ajustado |
US$ 68 milhões |
vs US$ 3 mi |
| Lucro líquido |
US$ 1 milhão |
vs -US$ 99 mi |
| Usuários ativos |
119 milhões |
+21% |
Resultado Q1 2026 da Klarna. Fonte: Finextra
A queda pós-IPO e a virada do Q1
O IPO da Klarna, concluído na NYSE em setembro de 2025 com avaliação de US$ 15 bilhões, foi seguido por turbulência: as ações acumulam queda de 70% desde então, com a companhia avaliada em US$ 5,2 bilhões. Em fevereiro, os papéis recuaram 25% após a empresa reportar prejuízo no quarto trimestre de 2025. Com o resultado positivo do Q1, as ações subiram 16% na NYSE. Sebastian Siemiatkowski, fundador e CEO da Klarna, afirmou que o trimestre veio “acima do limite superior” em todas as métricas.
O resultado foi sustentado por expansão de volume e avanço da margem operacional. O volume de financiamento atingiu US$ 4,1 bilhões no trimestre, alta de 138% em um ano, com 225 mil mercadores oferecendo o produto, contra 103 mil no Q1 2025. A rede total de parceiros chegou a 1,07 milhão (+49%). Para o segundo trimestre, a companhia projeta receita entre US$ 960 milhões e US$ 1 bilhão.
Banco, stablecoin e P2P: além do BNPL
A Klarna avança além do modelo “compre agora, pague depois” que a tornou conhecida. A empresa estuda solicitar licença bancária nos Estados Unidos e já acumula 1 milhão de cadastros no cartão de débito americano. Em novembro de 2025, lançou uma stablecoin; em janeiro de 2026, entrou no mercado de pagamentos P2P. O Let’s Money cobriu essa transição estratégica quando a companhia sinalizou o pivô para banco do dia a dia. Essa expansão não é isenta de custo: a empresa reservou US$ 186 milhões para perdas com crédito no trimestre, valor que supera em mais de 180 vezes o lucro líquido reportado.
A parceria com a OnePay, anunciada em janeiro para levar o BNPL ao débito, é parte da mesma lógica: ampliar pontos de contato com o consumidor enquanto a base de 119 milhões de usuários ativos justifica o investimento em novos produtos.
O que observar
O lucro de US$ 1 milhão é um marco simbólico, mas a margem líquida é de 0,1% sobre a receita, o que significa que qualquer pressão em inadimplência ou reforço nas provisões pode reverter o resultado. Para fintechs de crédito parcelado que expandem para produtos bancários, a questão operacional é: cartão de débito e pagamentos P2P atraem usuários com perfil de risco semelhante ou diferente da base histórica? A resposta aparecerá nos dados de inadimplência dos próximos trimestres. Vale acompanhar também se a orientação do Q2, com receita projetada abaixo do Q1 realizado, reflete sazonalidade ou início de ajuste de crescimento.
Fontes: Finextra • StockTitan • Sherwood News • Let’s Money • Let’s Money