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PixInternacional · Banco Central

Nobel de Economia rebate EUA e defende o Pix como progresso

Paul Krugman diz que a tarifa dos EUA não vai punir o Pix, cita relatório do Fed que trata o sistema como moeda digital e aponta o euro digital de 2029.

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gustavomellossa / Shutterstock.com

O Nobel de Economia Paul Krugman publicou nesta segunda-feira (20/7) um artigo em que defende o Pix da retaliação comercial americana. Segundo ele, “usar as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso”. As tarifas confirmadas pelo governo Trump entram em vigor nesta quarta-feira (22/7).

Os quatro pontos do artigo de Krugman

Tema O que o economista escreveu
Efeito da tarifa “Economicamente, o alcance das tarifas será limitado”
Natureza do Pix Moeda digital do BC, conforme relatório do Fed de 2022
Risco ao dólar hoje Brasil é “pequeno demais” para mexer no sistema global
Ameaça concreta Euro digital planejado pelo BCE para 2029

Argumentos do artigo publicado por Paul Krugman em 20 de julho de 2026. Fonte: BBC News Brasil

Por que o economista descarta a acusação de prática desleal

Laureado com o Nobel em 2008 e hoje docente em Nova York, o economista ataca o mérito da tese comercial americana. “Por que é injusto um país oferecer a seus cidadãos uma maneira melhor de fazer compras e pagar contas?”, questiona no texto, publicado no Substack. Ele leva o raciocínio ao terreno da concorrência: “mas desde quando é uma prática comercial desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?”, escreve, comparando o caso ao serviço postal americano diante de UPS e FedEx.

Na versão original do artigo, o economista reconhece o dano competitivo sem tratá-lo como ilegalidade: a capacidade dos brasileiros de pagar do celular a custo baixo, escreve, prejudica o negócio de Visa e Mastercard, duas empresas americanas. O enquadramento importa porque a investigação que originou as tarifas corre sob a Seção 301 da lei comercial de 1974, o mesmo dispositivo em que o Brasil respondeu à investigação americana que mira Pix e etanol e sob o qual os EUA acusaram o Banco Central de conflito de interesses no arranjo. Mais recentemente, o Itamaraty respondeu formalmente em defesa do sistema. Krugman também trata do componente político da disputa, que não se restringe ao terreno comercial.

A disputa que ele considera relevante para o dólar

O ponto monetário do artigo desloca o alvo. o economista registra o receio de autoridades americanas de que arranjos instantâneos como o brasileiro coloquem em xeque o domínio internacional da moeda dos EUA, mas avalia que o país é “pequeno demais” para mover essa agulha. O desafio de verdade, na leitura dele, viria da Europa, caso o Banco Central Europeu consiga colocar de pé o euro digital planejado para 2029. Se isso ocorrer, argumenta, parte relevante das transações hoje feitas em dólar migraria para a moeda europeia.

Para sustentar a natureza do sistema brasileiro, o economista recorre a um relatório do Federal Reserve de 2022 que enquadra o Pix como emissão digital da autoridade monetária brasileira, com estatuto equivalente ao do papel-moeda. Há um ano, ele já havia chamado o arranjo de dinheiro do futuro. O texto termina com a frase que dá título ao artigo: “o governo Trump declarou guerra ao futuro”.

O que observar

O argumento do Nobel muda pouco o calendário, já que a tarifa entra em vigor em dois dias, mas mexe no enquadramento internacional do caso. Quando um sistema de pagamento instantâneo público passa a ser descrito por economistas americanos como infraestrutura monetária equivalente a papel-moeda, a discussão sai do campo de prática comercial e entra no de soberania monetária. Vale acompanhar se outros bancos centrais que estudam arranjos semelhantes passam a citar o precedente ao desenhar suas próprias regras de obrigatoriedade para instituições financeiras.

A segunda variável é o efeito colateral sobre as bandeiras internacionais de cartão. Elas aparecem como parte prejudicada na leitura do próprio economista que defende o sistema, o que é uma posição incômoda de sustentar publicamente. Se a tese de que o risco relevante ao dólar está nas moedas digitais de bancos centrais europeus se confirmar, a pressão regulatória tende a se deslocar dos arranjos instantâneos de países emergentes para o desenho das moedas digitais de blocos desenvolvidos, com prazo que já tem data no calendário europeu.

Fontes: BBC News BrasilPaul Krugman

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