A britânica Lendable, credora digital do portfólio do Goldman Sachs, captou £500 milhões (cerca de US$ 670 milhões) em sua primeira ida ao mercado público de securitização, dando uma carteira de empréstimos pessoais como lastro. O recurso vai bancar a expansão nos Estados Unidos e a entrada no México.
Lendable em números
| Indicador |
Valor |
| Captação (securitização de empréstimos) |
£500 mi (US$ 670 mi) |
| Receita 2025 |
£446 mi (+90%) |
| Lucro operacional 2025 |
£114 mi |
| Crédito originado desde a fundação |
mais de £10 bi |
Captação e resultados de 2025 da Lendable. Fonte: Finextra
Como a Lendable transformou carteira em capital
Em vez de abrir uma nova rodada de capital, a Lendable empacotou empréstimos pessoais e os vendeu a investidores no mercado de títulos lastreados em ativos (ABS, na sigla em inglês). Segundo a Bloomberg, que reportou o negócio primeiro, foi a estreia da fintech no mercado público de securitização. É o mesmo caminho que credores digitais têm usado para financiar o crescimento sem diluir sócios, como quando a Neo Financial captou recursos com securitização de carteira.
A empresa, que usa machine learning para automatizar a análise de crédito, já originou mais de £10 bilhões em ativos de crédito ao consumo desde que foi criada, há mais de uma década. Em 2025, a receita subiu 90%, para £446 milhões, com lucro operacional de £114 milhões. A aposta em decisão de crédito por modelos atrai também investidores institucionais: o próprio Goldman Sachs liderou um aporte na Taktile, de infraestrutura de decisão de crédito com IA.
A aposta em EUA e México
A operação nos Estados Unidos foi montada em 2021 e a entrada no México está planejada, segundo o The Paypers. “Nos últimos anos, alcançamos posições de liderança de mercado em empréstimos, cartões de crédito e financiamento de veículos no Reino Unido, e agora estamos escalando nos EUA e no México”, disse Rory McHugh, CEO e diretor de investimentos da Lendable Capital, em tradução livre.
No mercado britânico, a fintech emitiu o segundo maior número de novos cartões de crédito em 2025, de acordo com dados da Experian citados pelo The Paypers. A ida ao México coincide com a corrida de grupos de crédito pela infraestrutura local: recentemente, a Equifax, dona da Boa Vista, comprou um bureau de crédito no país. Para o consumidor britânico, produtos como empréstimo pessoal e cartão são mais transferíveis entre mercados do que a proposta de um banco digital, um contraste que aparece quando o parcelado sem juros chega ao Reino Unido.
O que observar
A leitura mais interessante não está no valor captado, e sim no mecanismo. Securitizar carteira para financiar expansão é uma alternativa ao equity que credores digitais e securitizadoras independentes vêm testando quando o custo de capital aperta. Vale acompanhar se a estreia no mercado público de ABS reduz o custo de funding a ponto de sustentar crescimento fora do mercado de origem, ou se o apetite dos investidores por esse tipo de lastro se estreita caso a inadimplência do crédito ao consumo suba.
A segunda pergunta é operacional: modelos de crédito calibrados em um país nem sempre transferem bem para outro, com bureaus, hábitos de pagamento e regras distintas. Para fintechs de crédito que miram novos mercados, o teste será se a análise automatizada mantém a inadimplência sob controle quando o histórico de dados local é raso, um gargalo que costuma definir quem consegue escalar além da fronteira.
Fontes: Finextra • Bloomberg • PYMNTS • The Paypers