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Lloyds vai fechar mais 79 agências sob revisão do governo UK

Halifax e Lloyds vão fechar mais 79 agências em setembro, somando 319 só em 2026, enquanto o governo britânico revisa acesso ao varejo bancário.

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Atualizado em

J2R / Shutterstock.com

O Lloyds Banking Group vai fechar mais 79 agências no Reino Unido a partir de setembro, totalizando 319 só em 2026. O movimento ecoa o padrão que o Brasil viveu: 37% das agências fecharam em 10 anos, deixando 638 municípios sem atendimento presencial.

A nova onda anunciada para setembro

Marca Agências na nova onda
Halifax 48
Lloyds Bank 31
Total 79

Composição da onda de fechamentos anunciada para setembro de 2026. Fonte: MoneySavingExpert

Quarta onda do ano, com Halifax como maior baixa

O anúncio é o quarto do grupo em 2026. Já estavam programados 240 encerramentos até o fim do ano, sendo 80 só em junho. A nova rodada eleva o saldo para 319 unidades fechadas em 2026, com início em setembro. Das 79 que entram nesta fase, 48 são Halifax e 31 do Lloyds Bank, segundo a lista detalhada pelo MoneySavingExpert.

A liderança em número de agências no Reino Unido, que pertenceu por anos ao grupo somadas Halifax e Bank of Scotland, agora está com a Nationwide Building Society. A rede mutualista também já adotou postura diferente em tecnologia: optou por LLM próprio do setor antes de partir para agentes autônomos, como o Let’s Money reportou em junho. Funcionários afetados pelo Lloyds serão oferecidos vagas em outras unidades ou realocados em outras áreas. Pelo acordo coletivo firmado com os sindicatos Accord e Unite, o grupo pode reduzir indenizações em 50% se o funcionário recusar uma “função alternativa razoável”.

Sindicato critica e governo prepara intervenção

O BTU, sindicato informal de funcionários do Lloyds, classificou o teste da “função alternativa razoável” como uma “abominação criada para dar ao Lloyds o poder de driblar a lei e forçar os funcionários a aceitar qualquer função” (em tradução livre), conforme citado pela Finextra. A nova rodada veio semanas depois de o governo britânico encomendar uma revisão independente do impacto dos fechamentos.

A revisão é presidida por Richard Lloyd OBE, ex-diretor da Financial Conduct Authority, e deve apresentar recomendações até outubro de 2026. Ela está ligada ao Financial Services and Markets Bill, anunciado no Discurso do Rei em 13 de maio, que prevê poder ao Tesouro para agir caso os dados justifiquem intervenção sobre o acesso a serviços bancários presenciais. Em paralelo, o Lloyds também investe pesado em uma camada digital, com a adoção do pacote agêntico E7 da Microsoft para uso interno no Reino Unido.

O paralelo brasileiro

O encolhimento da rede física é tendência global, e o Brasil chegou primeiro a parte do trajeto. De acordo com levantamento do Sindicato dos Bancários de SP com base em dados do Banco Central e do DIEESE, o país perdeu 37% das agências em uma década, com pouco mais de 14 mil unidades restantes. 638 municípios ficaram sem agência desde 2015, e 2.649 cidades, quase metade do total brasileiro, não têm atendimento presencial, segundo o estudo.

“Esse processo aprofunda a exclusão bancária, dificulta o acesso ao crédito e penaliza sobretudo idosos, pessoas de baixa renda e pequenos comerciantes”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de SP. A estimativa do levantamento é de 19,7 milhões de brasileiros afetados, o equivalente a 9% da população.

O que observar

O recuo do varejo presencial expõe duas perguntas que valem para qualquer mercado em transição: quem absorve a função de atendimento físico onde a rede recua, e em que ritmo. No Reino Unido, redes mutualistas e hubs bancários compartilhados surgiram como resposta institucional ao vazio. No Brasil, correspondentes bancários e bancos digitais cobriram parte do trajeto, mas o levantamento sindical sugere que a substituição não foi simétrica entre faixas etárias e níveis de renda.

Vale acompanhar se a revisão regulatória em curso vai amarrar critérios mínimos para encerramentos, e se as redes mutualistas e bancos digitais vão sustentar a função de capilaridade que o varejo tradicional descontinua. O cronograma do relatório, previsto para outubro, deve indicar se o caminho vai pelo lado do condicionamento, do incentivo a alternativas físicas compartilhadas, ou da consolidação do digital como canal principal.

Fontes: FinextraMoneySavingExpertUK GovernmentSindicato dos Bancários de SPLet’s Money: Nationwide e LLM próprioLet’s Money: Lloyds adota pacote E7 da Microsoft

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