Só 21% dos varejistas brasileiros dizem identificar com clareza o tráfego e as compras que chegam de agentes de inteligência artificial, contra 24% nos Estados Unidos e 31% nos Emirados Árabes Unidos. Os números estão no Global Digital Shopping Index: Merchant Edition, estudo da PYMNTS Intelligence encomendado pela Visa Acceptance Solutions.
Quem já enxerga a compra feita por agente de IA
Recorte
Identificam tráfego e compra
Amostra completa
23%
Emirados Árabes Unidos
31%
Estados Unidos
24%
Brasil
21%
Grandes varejistas
27%
Pequenos e médios varejistas
19%
Visibilidade atual de agentes de IA em pesquisa com 1.185 varejistas, realizada em março de 2026. Fonte: PYMNTS Intelligence
O que o estudo chama de visibilidade
A pesquisa ouviu 1.185 varejistas dos Estados Unidos, do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos em março de 2026 e mede uma capacidade específica: saber que a visita ou o pedido veio de um agente de IA, software que pesquisa, compara e fecha a compra no lugar do consumidor. É a base do comércio agêntico, o modelo em que agentes compram em nome do cliente.
Na amostra completa, 23% enxergam as duas pontas, tráfego e compra. Outros 21% detectam a visita do agente, mas não conseguem ligá-la ao pedido concluído. O restante, 56%, tem identificação irregular (19%), nenhuma (21%) ou não sabe que capacidade tem hoje (16%). Segundo o relatório, sem a atribuição correta os lojistas ficam “essencialmente cegos para saber quais vendas são feitas por agentes” (em tradução livre), sem condições de ajustar a infraestrutura de checkout.
Porte muda o resultado, mas não resolve: 27% dos grandes varejistas identificam compras feitas por agentes, contra 19% dos pequenos e médios.
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O comércio agêntico corre à frente da medição
Expectativa não falta. Ainda em 2026, 61% concordam que resultados gerados por IA vão influenciar compras mais do que a busca tradicional, 58% esperam que os agentes escolham o meio de pagamento a partir de taxas e recompensas, e 56% acham que eles vão concluir transações sozinhos. Em dois anos, 38% projetam que compras feitas por agentes respondam por mais de 15% das vendas.
O incômodo com a base atual é maior por aqui. Na amostra, 87% dizem que o checkout precisa de pelo menos uma pequena melhoria e, no Brasil, apenas 6% consideram a solução atual ótima, contra 20% nos Estados Unidos. A dúvida sobre a durabilidade do que já está instalado segue o mesmo desenho: 59% dizem ter ao menos alguma preocupação de que a tecnologia de pagamento atual não atenda ao mercado em três anos, e os brasileiros são os mais ansiosos, com 43% muito ou extremamente preocupados, contra 22% nos Emirados e 12% nos Estados Unidos.
A pergunta prática é quem paga a conta da visibilidade. Enquanto o varejista não separa a visita do agente da visita humana, não dá para dizer se a venda por IA é receita nova ou outro caminho do mesmo cliente, e sem isso fica difícil justificar investimento em catálogo estruturado e atribuição. Vale acompanhar se essa camada vira serviço vendido por adquirentes e provedores de checkout, que já têm o dado da transação.
O segundo ponto é a ordem dos fatores. Boa parte dos lojistas espera participação relevante dos agentes nas vendas em dois anos, mas o gargalo declarado ainda é o checkout de hoje, sobretudo entre os brasileiros. Se a régua da adoção repetir a de outras ondas de pagamento, quem estruturar dado e atribuição primeiro chega ao canal com margem de negociação.