O ponto que mais embola o setor cripto brasileiro na adaptação às novas exigências do Banco Central não é o desenho da segregação patrimonial em si, mas o que precisa vir além de abrir uma conta separada por usuário. Quem faz a leitura é Luana Peterle, chefe de compliance da Lumx, casa brasileira que vende infraestrutura blockchain, num momento em que cerca de 50 empresas correm para entregar o pedido de licença ao BC até 29 de outubro de 2026.
Para a executiva, o atalho que parece fechar o quebra-cabeça não funciona sozinho. Isolar o dinheiro do cliente em conta nominal, em vez de manter todos juntos num único caixa, ataca só uma parte do problema, segundo ela. “Se tiver abertura de conta para cada usuário isso não necessariamente gera mais segurança. Além disso, a nível de carteira de criptoativos é fácil de fazer, mas para conta Pix é mais complexo, principalmente para empresas estrangeiras”, disse à Exame.
Cronograma do BC para PSAVs
| Marco | Data |
|---|---|
| Pacote do BC para PSAVs publicado | Final de 2025 |
| Reporte obrigatório de stablecoins ao BC | 04 de maio de 2026 |
| Prazo final para pedido de licença PSAV | 29 de outubro de 2026 |
Marcos citados pela executiva. Fonte: Exame Future of Money
A defesa do CaaS como saída
Peterle aposta em outra camada como saída: o crypto as a service (CaaS), modelo em que companhias não-bancárias plugam motores regulados de uma casa financeira e rateiam a carga de compliance. Em série histórica do Let’s Money, a regulação do BC para cripto já se mostrou apertada o suficiente para derrubar a estimativa de candidatos a licença de cerca de 200 para 50 jogadores, e o mesmo pacote ainda tem freado o uso do Pix em operações cripto pelas exigências da Resolução 520.








