A Lydian, fintech de infraestrutura para pagamentos em ativos digitais apoiada por Tether e Cantor Fitzgerald, lançou um cartão Visa Platinum co-branded que aceita mais de 300 criptomoedas e stablecoins. O produto é emitido pela Rain, plataforma que levantou US$ 250 milhões em janeiro numa rodada Série C a uma avaliação de US$ 1,95 bilhão.
O cartão Lydian em quatro pontos
| Item |
Especificação |
| Bandeira |
Visa Platinum, aceita em toda a rede Visa |
| Formatos |
Físico e virtual (emissão instantânea) |
| Ativos suportados |
Mais de 300, de stablecoins a criptomoedas majoritárias |
| Infraestrutura |
Emitido pela Rain; backers: Tether e Cantor Fitzgerald |
Dados do lançamento do Lydian Card. Fonte: Finextra
A engrenagem por trás do cartão Visa cripto
A Lydian posiciona o cartão como ponte entre a custódia de ativos digitais e o consumo cotidiano. “Whether tapping in-store or making a purchase online, the Lydian Card makes it simple to spend digital assets”, disse Carl Grimstad, CEO da Lydian, em comunicado. Segundo Grimstad, o cartão “enables a seamless shift from digital ownership to everyday use, helping users and merchants participate in the $4 trillion digital asset economy”.
A Rain, que emite o cartão, é Principal Member da Visa e roda em mais de 150 países. A empresa fechou a Série C em 9 de janeiro com rodada liderada pela ICONIQ Capital, chegando a uma avaliação de US$ 1,95 bilhão, 17 vezes maior do que a valuation de dez meses antes. “Stablecoins are quickly becoming the way money moves in the 21st century, but adoption by users worldwide requires cards and apps that just work”, afirmou Farooq Malik, CEO e cofundador da Rain. A plataforma atende mais de 200 parceiros, incluindo Western Union, Nuvei e KAST, e processa mais de US$ 3 bilhões em transações anualizadas.
O mercado de cartões cripto ganha escala
O lançamento se soma a uma sequência recente de movimentos que colocam stablecoins dentro de trilhos tradicionais de pagamento. Em abril, a Jeeves lançou cartão corporativo em stablecoins para empresas de Argentina e Brasil, e a própria Visa passou a validar blocos da Tempo, blockchain de stablecoins criada pela Stripe. No mesmo mês, a Tether apresentou uma carteira própria para dólar digital, ouro tokenizado e bitcoin, consolidando um ecossistema vertical em torno da stablecoin USDT.
No Brasil, a Tether já tem peso no mercado local: é investidora na fintech Parfin, que opera infraestrutura de tokenização. O USDT figura entre os criptoativos mais movimentados por investidores brasileiros, e corretoras e bancos digitais já oferecem cartões pré-pagos atrelados a criptomoedas, em diferentes modelos de conversão automática.
O que observar
A aposta comum entre os recentes lançamentos é usar a rede de bandeiras de cartão como trilho universal, enquanto a conversão entre ativo digital e moeda fiduciária fica escondida do ponto de venda. Vale acompanhar como adquirentes e emissores tradicionais vão precificar o risco de liquidação quando o funding do cartão não é conta bancária, e sim uma carteira de stablecoin custodiada por uma plataforma terceirizada. Um ponto central é o regime cambial: quando o consumidor paga numa moeda e o lojista recebe em outra, qual taxa de conversão é aplicada e quem absorve o spread define se o modelo compete de fato com cartões de débito e crédito convencionais.
A outra frente que merece atenção é o arranjo regulatório por país. Emissores que querem operar em escala global precisam convencer reguladores de custódia, câmbio e prevenção à lavagem de dinheiro de que o fluxo stablecoin-para-fiat atende aos mesmos padrões que contas de pagamento tradicionais. Se isso se consolidar, bandeiras e processadoras podem passar a olhar stablecoins como uma camada de funding padrão, e não como exceção.
Fontes: Finextra • PR Newswire • Rain • Lydian