Membros do MileagePlus da United Airlines podem, a partir de hoje, pagar corridas na Lyft com milhas aéreas diretamente pelo app, num inédito nos EUA: é a primeira vez que uma aérea e um rideshare fecham o ciclo de acúmulo e resgate de milhas numa mesma parceria. Para novos usuários, 1.000 milhas bônus ao completar duas corridas em 30 dias.
Parceria Lyft + MileagePlus: o que mudou
| Funcionalidade |
2025 |
2026 |
| Acumular milhas em corridas Lyft |
Sim |
Sim |
| Pagar corridas com milhas |
Não |
Sim |
| Pagamento parcial com milhas (split tender) |
Não |
Sim |
Expansão da parceria Lyft e MileagePlus. Fonte: Lyft
Como funciona o pagamento com milhas
Ao solicitar uma corrida no app Lyft, uma nova opção “pagar com milhas” aparece na tela de pagamento, mostrando quantas milhas serão debitadas antes de confirmar o pedido. A funcionalidade cobre todos os tipos de corrida elegível, incluindo trajetos cotidianos, viagens para aeroportos e opções premium. Se o saldo não cobrir o valor total, o app permite split tender, combinando milhas com outro método de pagamento.
“Pagar com milhas significa que as milhas que você acumulou na sua última viagem podem te ajudar a chegar à próxima”, disse Jordan Glassberg, vice-presidente de parcerias e fidelização da Lyft. “Muitos membros do MileagePlus já vincularam suas contas ao Lyft, demonstrando uma forte demanda por acúmulo de milhas e formas mais flexíveis de interação com o programa MileagePlus”, acrescentou Jarad Fisher, presidente do MileagePlus. O recurso está disponível para todos que já têm contas Lyft e United vinculadas, sem custo adicional de adesão.
O negócio bilionário por trás das milhas
A expansão chega num momento em que as principais aéreas americanas transformaram seus programas de fidelidade em centros de receita fora da aviação. O mecanismo é direto: bancos pagam às aéreas bilhões de dólares anuais em troca de milhas e outros pagamentos ligados a programas de fidelidade, valores que em alguns anos chegam a rivalizar com o lucro operacional das companhias.
Esse incentivo levou as aéreas a reconfigurar as regras de acúmulo em favor de quem gasta no cartão co-branded: a American Airlines removeu milhas AAdvantage de tarifas de classe econômica básica, enquanto a Delta passou a computar gastos no cartão Amex co-branded para status elite.
No Brasil, dinâmica parecida movimenta emissores de cartão e o setor de viagens. Em março, o Itaú prorrogou pontos extras em passagens aéreas para estimular uso do cartão. O setor de viagens também expande esse jogo além das aéreas: em agosto de 2025, o Booking.com lançou seu primeiro cartão de crédito nos EUA apostando em fidelidade e reservas diretas como diferencial de produto.
O que observar
A questão central é de valor percebido: quando milhas saem de um universo fechado, voos, e passam a circular em corridas de aplicativo, a utilidade do programa cresce, mas o valor simbólico de cada milha pode ser diluído ao se tornar mais comum. Se o resgate em transporte terrestre virar referência no setor, outros programas de fidelidade atrelados a cartões co-branded vão enfrentar pressão para expandir os pontos de resgate além da aviação, ampliando o campo competitivo dos programas de loyalty.
Vale acompanhar se a conversão das milhas no rideshare entrega valor competitivo em relação ao resgate em passagens. O teste real será o índice de uso do novo recurso: se o valor implícito das milhas em corridas ficar abaixo do resgate em voos, o recurso pode funcionar como diferencial de marketing sem impacto real na retenção dos membros do programa.
Fontes: PYMNTS • Lyft • Let’s Money • Let’s Money