A MAG Seguros passou a oferecer o Pix Automático para cobrança de apólices em todo o país neste mês, três meses depois de a Tokio Marine ter ativado o mesmo mecanismo em janeiro. O movimento coloca seguradoras na mesma esteira de cobrança recorrente já adotada por concessionárias de energia e telefonia, e aproxima o setor de uma mudança estrutural na relação com o segurado.
A fila de quem ativou o Pix Automático
| Quando |
Quem ativou |
| Outubro de 2025 |
Sicredi (empresas) e Algar Telecom (faturas) |
| Janeiro de 2026 |
Tokio Marine (apólices) |
| Março de 2026 |
CPFL Energia e Equatorial (contas de luz) |
| Abril de 2026 |
MAG Seguros (apólices) |
| Julho de 2026 (previsto) |
Conta-salário, liberação do Banco Central |
Fonte: InfoMoney e cobertura do Let’s Money.
O que muda para o segurado
Na MAG Seguros, a ferramenta permite que o cliente autorize o débito uma única vez e as parcelas passam a sair via Pix, inclusive em finais de semana e feriados. A cobrança alcança mais de 700 instituições financeiras e de pagamento, incluindo bancos digitais. “O Pix Automático ajuda a trazer mais eficiência, reduzir atritos e coloca o segurado no centro da decisão, com total controle sobre seus pagamentos”, disse Marcos Diniz, diretor-executivo da MAG Finanças, ao InfoMoney.
A Tokio Marine, que ativou o mecanismo em janeiro, cita um ganho adicional: a liquidação imediata dos pagamentos acelera o repasse de comissões a corretores. A funcionalidade está disponível para novas contratações e renovações não automáticas de apólices. “Além de ser uma solução simples e segura, ela garante previsibilidade, reduz inadimplência e traz ganhos relevantes de eficiência para toda a cadeia”, disse Daniel Dibe, diretor executivo de Finanças e Administração da Tokio Marine.
A fila de cobrança recorrente está ficando longa
Seguradoras entram numa lista que já conta com concessionárias e telcos. Em março, CPFL Energia e Equatorial Energia ativaram o Pix Automático para contas de luz, e em outubro passado a Sicredi disponibilizou o produto para empresas. O Banco Central também liberou o Pix Automático em conta-salário a partir de julho, o que coloca folha de pagamento na mesma esteira.
A base de usuários justifica o movimento. O Banco Central informa que cerca de 170 milhões de brasileiros usam Pix, o equivalente a 80% da população, e o Pix Automático já redesenhou o mapa de pagamentos recorrentes no segundo semestre de 2025. Para seguradoras, o atrativo é duplo: substituir o débito automático tradicional, preso a poucos bancos contratados, por um trilho que chega a centenas de instituições, e capturar a base de clientes que prefere pagar pelo app do próprio banco.
O que observar
A questão é de fila de liquidação, não de tecnologia. Como o podcast Let’s Money detalhou ainda em 2024, não há regra universal de prioridade entre múltiplos Pix Automáticos na mesma conta no mesmo dia: cada banco decide a ordem de liquidação e, na dúvida, prioriza as cobranças da própria instituição. Quando um cliente acumula Pix Automático de energia, telefonia e seguro num mês apertado, a apólice pode ficar atrás de cobranças essenciais e gerar cancelamento silencioso.
O segundo ponto é comercial. Seguradoras ganham liquidação imediata, mas perdem um sinal precioso: a falha do débito automático era um aviso antecipado de inadimplência do cliente e dava à companhia tempo de oferecer renegociação. Num modelo em que o banco retenta e cancela direto, vale acompanhar se as companhias vão construir camadas de comunicação com o cliente antes que a apólice caia, porque o custo de readquirir um segurado perdido costuma superar o de um desconto para manter o pagamento em dia.
Fontes: InfoMoney • Banco Central • Let’s Money • Let’s Money Podcast