O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, foi eleito nesta quinta-feira (9) presidente do conselho diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com mandato até março de 2029. Ele substitui Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do Bradesco, que ocupava o cargo desde março de 2024.
A troca no comando do conselho da Febraban
| Executivo |
Banco |
Período |
| Luiz Carlos Trabuco Cappi |
Bradesco |
Mar/2024 a Abr/2026 |
| Milton Maluhy Filho |
Itaú Unibanco |
Abr/2026 a Mar/2029 |
Transição confirmada em assembleia em 9 de abril de 2026. Fonte: Febraban
Chapa única e a rotação no comando da Febraban
A eleição por chapa única já era esperada. Há duas semanas, a Febraban havia confirmado que Maluhy liderava a única chapa inscrita, seguindo a rotação tradicional do comando da entidade entre os grandes bancos privados. A sucessão no alto da Febraban foi antecipada pelo Let’s Money em março, quando o Nubank oficializou sua filiação à entidade em um movimento que, segundo a Finsiders Brasil, teve recomendação favorável do próprio Maluhy.
“Assumir a presidência do conselho diretor da Febraban é, para mim, a oportunidade de contribuir com uma agenda essencial de crescimento do País, baseada em responsabilidade, ética e na solidez do sistema financeiro”, afirmou Maluhy, em nota. O executivo disse que seu foco estará na ampliação da colaboração “entre instituições, reguladores e todo o ecossistema financeiro”.
O contexto da transição na Febraban
Trabuco encerra o mandato destacando que a indústria financeira “precisa se manter forte, robusta e segura, dando garantia para a sociedade de que a economia seguirá em permanente movimento”. A entidade vive um momento de ampliação de escopo: a Febraban firmou recentemente acordo com ABBC e Coaf para modernizar o combate à lavagem de dinheiro, sinalizando agenda institucional mais próxima dos reguladores.
Maluhy herda o cargo em um momento de reconfiguração do setor bancário brasileiro, com a entrada de instituições digitais na Febraban, avanço do Open Finance e pressão regulatória crescente sobre tópicos como segurança, IA e crédito. A relação entre o Itaú e a Febraban é estrutural: em episódio do podcast Let’s Open, um profissional do banco que atuava nos grupos de trabalho da entidade descreveu o próprio papel como “catalisador de conhecimento”, levando a visão do Itaú para a Febraban e trazendo os aprendizados regulatórios de volta ao banco. Com Maluhy à frente do conselho diretor, essa ponte passa a ser institucional e no topo da hierarquia.

O que observar
A troca no comando do conselho da Febraban acontece num momento em que bancos incumbentes e fintechs operam cada vez mais sob o mesmo guarda-chuva institucional. Vale acompanhar como o novo presidente vai calibrar a agenda da entidade diante de interesses que antes eram opostos: de um lado, bancos tradicionais que financiam a maior parte do sistema; de outro, entrantes digitais que cresceram contestando práticas consolidadas. A pergunta é se a entidade conseguirá representar esses dois blocos sem diluir posições.
No curto prazo, o teste será a capacidade de articulação política com o Banco Central e o Congresso em temas sensíveis como tributação de fintechs, revisão de regras de crédito consignado e implementação das próximas fases do Open Finance. Uma gestão marcada por diálogo com reguladores pode destravar pautas represadas. Já uma postura mais defensiva pode aprofundar a distância entre representantes do setor tradicional e entrantes digitais.
Fontes: Valor Econômico • Febraban • Finsiders Brasil • Seu Dinheiro • Money Times • Let’s Open Podcast — Como é trabalhar no Itaú e na Febraban ao mesmo tempo