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R$ 12,2 bilhõesNotícias · Banco Master

Master repassou FIDC Jeitto ao BRB após rombo em carteiras

Fundo ligado à fintech Jeitto entrou no pacote de ativos trocados após problemas em R$ 12,2 bilhões comprados do banco liquidado

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· 2 min

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Foto: Divulgação

Novos detalhes ajudam a esclarecer como o Banco Master tentou compensar os problemas identificados em R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito vendidas ao BRB (Banco de Brasília) antes de sua liquidação extrajudicial. Segundo apuração do Valor, cotas do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Jeitto integraram o pacote de ativos repassados ao banco estatal após a detecção das irregularidades.

O FIDC Jeitto era controlado integralmente pelo Banco Master e funcionava como estrutura de funding da Jeitto, fintech de crédito ao consumo. A transferência das cotas ocorreu no momento em que o BRB exigiu a troca dos ativos problemáticos, após identificar que parte relevante das carteiras adquiridas não tinha lastro adequado em operações reais.

De acordo com o relatório mensal referente a dezembro, o FIDC Jeitto apresentava patrimônio líquido de R$ 210,3 milhões, com carteira ativa de R$ 210,7 milhões. O dado que chama atenção, porém, é o volume de R$ 952,9 milhões em créditos inadimplentes, além de um passivo de R$ 751,3 milhões a pagar, evidenciando uma estrutura já pressionada no momento do repasse.

Jeitto no centro da troca de ativos

Criado no início de 2020, o FIDC Jeitto tinha como administradora a própria corretora do Banco Master. Até julho de 2025, o banco era o único cotista do fundo. Foi justamente nesse período que, segundo fontes com conhecimento da operação, as cotas foram transferidas ao BRB como parte do esforço para compensar os ativos considerados problemáticos.

O fundo não é obrigado a divulgar seus cotistas, o que limita a transparência pública sobre a operação. Ainda assim, os números do relatório ajudam a dimensionar a qualidade dos ativos utilizados na tentativa de mitigar as perdas do banco estatal.

A entrada do FIDC Jeitto no pacote reforça que a compensação não envolveu apenas ativos líquidos ou de baixo risco, mas também estruturas de crédito já afetadas por elevada inadimplência, exigindo gestão ativa e provisões adicionais.

Caso Master expõe fragilidades do crédito estruturado

O detalhamento dos ativos surge em um momento de pressão crescente sobre o BRB, que foi recentemente obrigado pelo Banco Central do Brasil a constituir provisão de R$ 2,6 bilhões para cobrir a parcela das carteiras que não conseguiu compensar.

Mais do que um desdobramento pontual, o episódio amplia o debate sobre governança, diligência e transparência em operações envolvendo carteiras de crédito e fundos estruturados, como FIDCs. Embora sejam instrumentos amplamente usados no mercado, esses veículos carregam riscos específicos, especialmente quando concentrados em um único originador ou controlador.

À medida que novas informações vêm à tona, o caso Master deixa de ser apenas um episódio de insolvência bancária e passa a revelar fragilidades mais amplas na originação, empacotamento e distribuição de crédito no sistema financeiro brasileiro, com impactos que seguem se desdobrando para bancos, fundos e reguladores.

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