A Mastercard projeta que, até 2030, mais de 1 em cada 10 consumidores online vão delegar as compras a agentes de inteligência artificial (IA), softwares que escolhem e pagam produtos por conta própria. A previsão está em um relatório que ouviu 13 mil pares de pais e filhos em 13 mercados europeus e chega no momento em que o comércio agêntico, as compras conduzidas por softwares de IA, sai dos testes de laboratório.
O que a pesquisa da Mastercard aponta
| Indicador |
Número |
| Adolescentes que usam IA toda semana para achar, comparar e avaliar produtos |
33% |
| Geração dos pais no mesmo hábito |
21% |
| Aceitariam um assistente de compras totalmente movido por IA |
36% |
| Demanda global de consumo movida por IA projetada para o fim da década |
£ 370 bilhões/ano |
Dados do relatório da Mastercard “A Short History of the Future of Shopping and Payments”. Fonte: Finextra
O que a pesquisa mostrou
O estudo, batizado de “A Short History of the Future of Shopping and Payments”, combina uma pesquisa com 13 mil pares de pais e filhos em 13 mercados europeus, entre eles Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Espanha, com a leitura de quatro futuristas dos EUA, Europa e Ásia. Nenhum dos mercados ouvidos é o Brasil.
Os números apontam uma troca de geração no comportamento de compra. Um terço dos adolescentes (33%) já recorre à IA toda semana para achar, comparar e avaliar produtos e serviços, contra 21% da geração dos pais. E um em cada três (36%) diz que entregaria a decisão a um assistente de compras totalmente movido por IA, que escolhe e paga sozinho.
A corrida pelo comércio agêntico
O relatório calcula que a mudança pode redesenhar como as empresas vendem: quem não adaptar catálogos, programas de fidelidade e políticas para que máquinas leiam e verifiquem as informações corre o risco de ficar fora de uma demanda global de consumo movida por IA estimada em £ 370 bilhões por ano até o fim da década. Segundo o estudo, o Reino Unido deve estar entre os primeiros países a adotar o comércio agêntico, ao lado de China, EUA e Coreia do Sul.
A projeção acompanha uma disputa que já saiu do papel. No Brasil, a Visa liberou o Agentic Ready para cinco emissores, e bancos como o HSBC já testam deixar a IA comprar com trava biométrica. Do lado da infraestrutura, adquirentes esperam o comércio agêntico triplicar em 12 meses. “A IA cada vez mais ajuda as pessoas a decidir o que comprar; amanhã ela vai ajudar a fazer a compra por elas também”, disse Simon Forbes, presidente da Mastercard no Reino Unido e Irlanda.
O que observar
A amostra é europeia e a projeção parte de futuristas, não de vendas já realizadas: vale ler o 1 em 10 como cenário, não como fato consumado. A pergunta prática é quem se prepara primeiro para ser “lido” por um agente. Varejistas e provedores de serviço que não tornarem preço, estoque e políticas legíveis por máquina podem sair da lista de opções que o software considera, antes mesmo de o consumidor perceber.
Se o hábito migrar dos adolescentes para o público geral no ritmo que a pesquisa sugere, o gargalo tende a se deslocar da interface para a confiança: como bandeiras, emissores e reguladores garantem autorização, limite e reembolso quando é uma máquina que aperta o botão. Vale acompanhar se as travas de consentimento e controle do consumidor acompanham a velocidade da adoção.
Fontes: Finextra • Let’s Money • Let’s Money