Quase 8 em cada 10 empresas brasileiras percebem seus setores expostos a fraudes e ataques digitais. O dado é do Barômetro da Segurança Digital 2025, pesquisa encomendada pela Mastercard ao Instituto Datafolha. Em 2022, o índice era de 64%. Apesar do aumento nos investimentos, a incidência de ataques também cresceu: 12% das empresas foram alvo nos últimos meses, contra 10% no levantamento anterior.
Barômetro da Segurança Digital 2025 — Mastercard/Datafolha
78%
Percebem exposição a ataques (era 64%)
53%
Prioridade máxima no orçamento (era 23%)
43%
Usam IA contra fraudes
12%
Sofreram ataque recente (era 10%)
Fonte: Instituto Datafolha para Mastercard, 2025.
Investimento dobrou, mas ataques também crescem
A priorização de cibersegurança nos orçamentos corporativos mais que dobrou: 53% das empresas atribuem prioridade máxima ao tema, contra 23% em 2022. Empresas com planejamento anual de segurança digital saltaram de 26% para 56% no mesmo período, e 18% já destinam mais de 20% do orçamento total a segurança digital.
Entre as medidas adotadas, mais da metade usa biometria para reduzir a dependência de senhas, 47% investem em criptografia para mitigar vazamento de dados e 43% já utilizam inteligência artificial para detectar ações fraudulentas. A Swift e grandes bancos globais já testam IA e dados compartilhados como frente antifraude, tendência que se reflete no mercado brasileiro.
Gargalos persistentes
Apenas 35% das empresas possuem uma área dedicada exclusivamente à cibersegurança. A dificuldade em encontrar profissionais qualificados subiu de 44% para 53%, refletindo o déficit estrutural de talentos em tecnologia no Brasil. Ainda assim, 79% declararam ter plano de resposta a ataques.
Os setores mais preparados são finanças, seguros e tecnologia. Os menos protegidos: educação, saúde e varejo. A pesquisa indica que o gap de maturidade entre setores regulados e não regulados continua se ampliando, o que pode criar vetores de ataque em cadeias de valor que conectam setores com níveis diferentes de proteção.
O que observar
O aumento simultâneo de investimento e de incidentes revela que as ameaças evoluem mais rápido que as defesas corporativas. A Mastercard tem apostado em camadas de confiança para agentes de IA como frente de proteção, e o BC anunciou pacote emergencial contra fraudes financeiras recentemente.
Vale acompanhar se a onda de adoção de IA defensiva conseguirá inverter a curva de ataques em 2026. O dado de que 43% das empresas já usam IA contra fraudes sugere que a tecnologia está saindo do estágio piloto para produção. A pergunta é se a velocidade de implementação acompanhará a sofisticação dos ataques.
Fontes: Valor Econômico · InfoMoney