A Mastercard propôs às credenciadoras arcar com metade do prejuízo total dos cartões do Will Bank, mas a proposta equivale a quase nenhum pagamento adicional: a bandeira já havia honrado os fluxos à vista (D28), que correspondem a cerca da metade do volume, e a inadimplência nos cartões estaria em torno de 50%.
Will Bank: a conta que Mastercard e credenciadoras disputam
| Ponto | Dado |
|---|---|
| Exposição Mastercard (pico) | quase R$ 8 bi (reduzida para R$ 5-6 bi) |
| D28 pago (fluxos à vista) | ~50% do volume total; já ressarcido após a liquidação |
| Inadimplência nos cartões | ~50% |
| Proposta da Mastercard | cobrir metade do prejuízo total |
| Efeito prático | credenciadoras receberiam quase nada a mais |
| Prazo regulatório | bandeiras entregam novos regulamentos até 31/mai/2026 |
Dados divulgados originalmente pela Bloomberg e confirmados pelo Valor. Fonte: Valor Econômico
O que a proposta significa na prática
A conta funciona assim: a Mastercard já pagou o D28 (fluxos à vista, liquidados em até 28 dias), que representam aproximadamente metade do volume total dos cartões do Will Bank. A proposta é que isso já conta como a cobertura da metade do prejuízo total acordada. Com inadimplência de cerca de 50% nos cartões, a outra metade do volume não gera praticamente nada a recuperar, e as credenciadoras não veriam mais nenhum repasse relevante. A informação foi confirmada pelo Valor após divulgação inicial pela Bloomberg.
A Cielo, única entre as credenciadoras a se manifestar, rejeitou a lógica da proposta: “Adicionalmente, as adquirentes não podiam, não podem e não poderão escolher os emissores que fazem parte do arranjo e tampouco são responsáveis pelas garantias atreladas à operação.” O argumento das credenciadoras está ancorado na lei 14.031/2020 e na resolução 150 do BC, que determinam que recursos em trânsito para operações de pagamento devem ser mantidos em conta segregada.
Um executivo do setor foi mais direto: “[…] Mas já estava claro desde a resolução 150 que o risco no arranjo é das bandeiras. Essa proposta da Mastercard é indecorosa.” A Mastercard não quis comentar. Rede, Getnet, Stone e PagSeguro também não se manifestaram. A Mastercard já havia executado garantias do Will Bank em janeiro, o que torna difícil estimar o tamanho exato do rombo remanescente.








