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Mastercard: 9 em cada 10 pagam digital na LatAm, 47% sacam

Pesquisa da Mastercard com 3.558 adultos em 10 países revela 90% de adoção digital na LatAm, mas 47% usaram cédulas nos últimos seis meses.

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· 3 min

Atualizado em

Nove em cada dez consumidores da América Latina e do Caribe se identificam como usuários de pagamentos digitais, mas 47% ainda usaram cédulas nos últimos seis meses, segundo pesquisa da Mastercard com 3.558 adultos em 10 países da LatAm em março de 2026.

Digital avança, cash persiste: dados da LatAm

Indicador Resultado
Consumidores digitais 90% (9 em cada 10)
Usaram cédulas nos últimos 6 meses 47%
Cash em ônibus 36%
Cash com vendedores ambulantes 32%
Querem mais aceitação digital 87%
Não-usuários: pretendem adotar digital 68%

Pesquisa com 3.558 adultos em 10 países da LatAm, março de 2026. Fonte: Bloomberg Línea

A lacuna está na aceitação, não na intenção

O índice de 90% de adoção mascara um gargalo de infraestrutura: consumidores querem pagar digital, mas não conseguem em contextos cotidianos de baixo ticket. Dentro de ônibus, 36% ainda recorrem a cédulas; com vendedores ambulantes, a dependência chega a 32%. Ao mesmo tempo, 87% dos entrevistados querem que mais estabelecimentos aceitem meios digitais, e 59% precisam sacar ao menos uma vez por mês quando prefeririam usar o celular ou cartão.

Entre os que pagam digital, o cartão de débito lidera com 60% das preferências em transações cotidianas, à frente de carteiras digitais (42%) e transferências (39%). Entre os ainda resistentes ao digital, 43% mudariam de postura com melhorias em segurança, 38% com proteção mais clara em caso de problemas e 36% com melhor atendimento ao cliente. Entre os não-usuários, 68% consideram “algo ou muito provável” adotar pagamentos digitais no futuro.

“A inclusão já não se trata apenas de incorporar as pessoas no sistema financeiro, mas sim em garantir que o sistema funcione para elas em sua vida diária”, afirmou Andrea Scerch, presidente da Mastercard para América Latina e Caribe. O estudo, feito pela consultoria independente Many Minds Group, abrangeu Argentina, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Peru e Porto Rico.

Brasil destoa: Pix em 81% da população

Nenhum dos 10 países estudados inclui o Brasil, que apresenta cenário bem mais avançado. Em março de 2026, 81% da população brasileira já havia realizado pelo menos uma transação pelo Pix, segundo dados do Banco Central. O sistema de pagamentos instantâneos, lançado pelo BC em novembro de 2020, superou o uso de dinheiro em espécie em market share já no primeiro trimestre de 2021. Em 2025, o Pix movimentou R$ 35,3 trilhões, consolidando o modelo de pagamento instantâneo como referência global.

A trajetória brasileira indica que infraestrutura pública de pagamentos instantâneos, com aceitação obrigatória e cobertura ampla, encurta o caminho para os percentuais vistos no estudo. Uma pesquisa anterior sobre hábitos de pagamento dos brasileiros mostra o padrão: mesmo com alta adoção, o apetite por mais velocidade e abrangência persiste.

O que observar

O dado mais operacional do estudo é o 87% de demanda reprimida por aceitação: consumidores já querem pagar digital em contextos onde o comerciante ainda não aceita. Reguladores e bancos centrais que construírem infraestrutura de pagamentos instantâneos obrigatória, com cobertura em segmentos de baixo ticket como transporte e comércio informal, tendem a replicar a curva brasileira com menor fricção de adoção.

Vale notar que o estudo foi encomendado por uma bandeira de pagamentos com interesse direto na expansão do digital. Os recortes escolhidos, como demanda reprimida e barreiras à conversão, refletem o ângulo do contratante, o que não invalida os dados, mas sugere lê-los como piso de estimativa, não como teto.

Fontes: Bloomberg LíneaLet’s MoneyLet’s Money

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